18 de setembro de 2013

Os homens que não Amavam as Mulheres

Cut Into Pieces by Trent Reznor and Atticus Ross on Grooveshark
E os obeliscos tomaram o lugar de cavernas. E o matriarcado deu lugar ao feminicídio. O maior deles, que durou séculos patrocinado pelas grandes religiões, e em alguns lugares do mundo ainda persiste tal patrocínio, colocando as mulheres na postura que lhes parecia adequada: caladas, serviçais e, de preferência, em fogueiras ou espancadas. Claro, admitem raramente uma ou outra mulher em suas fileiras de heroínas, mas nunca elencam suas ideias e posturas como diretrizes. 

O masculino ascendeu, a capacidade de gestar perdeu em importância para quem sabia bramir a espada. E, de um ponto de vista histórico, só há pouquíssimo tempo nos demos conta da agressão endêmica infligida ao gênero xx. E caminhamos nessa vergonhosa e nebulosa guerra dos sexos em que todos saem perdendo.

Nossa seleção pinçou títulos que mostram como a sétima arte vê a reação de mulheres que sofrem agressões horríveis (quase como regra, sexual) de homens e resolvem se vingar da forma mais crua e cabal (a emasculação é sempre uma opção). Sem metafísica, sem ponderações, a pura e simples vingança violenta de vênus contra marte. 


Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres - Pois é, infringi minha regra de ler o livro após ter visto o filme e quebrei a cara. Ô livro ruim, ô filme bom... Resultado direto do talento de seus respectivos realizadores Steig Larsson e David Fincher. O filme tem uma atmosfera espetacular: fria, sombria, angustiante. Há algo de podre no reino sueco. Nos países do norte da Europa a ética protestante é um grilhão e não basta ser honesto, tem que se parecer honesto. E o que a neve esconde atrás de uma capa de lisura e direitos humanos ao derreter temos um quadro de sordidez e desgraças comparáveis a um inferno. A trilha sonora é um espetáculo. As tintas ultra-niilista que Rooney Mara imprime a grande heroína das mulheres violentadas, a incrível e odiosa Lisbeth Salander, é hipnotizante. Para ver o trailer clique aqui. 


Sedução e Vingança - Abel Ferrara é um desses diretores que se escondem e demoramos a tomar gosto, mas quando a paixão acontece é fulminante. Ele merece um post só dele. Numa Nova York pré-Giuliani, ainda imunda e violênta, a musa junkie Zoë Lund sofre o abuso que irá transtorná-la e transformá-la na freirinha mais fatale da big appel. Thana é a pulsão de morte embalada em prêt-à-porter .45. A cidade e os abusadores engoliram sua sanidade. Agora, mexeu com ela, leva chumbo malandro. Atenção para cena maravilhosa da festa a fantasia. Para ver inteirinho clique aqui.


Menina Má.com - Que filme, hein!? A inversão da inversão do conto dos irmãos Grimm cheio dos maiores terrores de nossos tempos: a pedofilia e o abuso de mulheres. O filme é carregado de closes, expediente de que não sou muito fã, porém as atuações de Patrick Wilson e da pequena e monstruosa Ellen Page são recompensadoras. A cena da tortura fara os homens, e só eles, suarem frio. Veja o trailer aqui.


A Vingança de Jennifer - Menina bonitinha da cidade grande vai morar em casa isolada no interiorzão e um grupo de estupradores asquerosos se dão conta de sua presença. Está montado o cenário para o terror. Sim, é camp, é sujo, atuações meio toscas e sangue cenográfico jorra. Resumindo, tem que ver... Se quiser, tem legendado clicando aqui.


Thriller, A Cruel Picture: Uma fria vingança - Christina Lindberg é muito musa da década de 70. Garota lindinha é enganada, drogada e prostituída. Sua vingança será maligna. Há muitas cenas de violência que remetem a Peckinpah por seu efeito de lentidão, mas sem a precisão e beleza do velho diretor. Do abuso que sofre na infância a desgraça que se abate sobre sua vida adulta, a vingança é seu único caminho e o preto se torna a única cor a lhe cobrir o corpo. Temos um filme de reação sumária contra abusos e um exploitation legítimo com cenas extremamente ousadas para época. Se quiser assistir esse filmão NSFW clique aqui.


A Pele que Habito - Um doutor maluco e a sua criatura revoltosa. A "versão" de Frankenstein  do Almodovar só poderia ser surtada e confundir o papel de gêneros é sua especialidade, bem como a confusão de gêneros  filmográficos: estamos no limiar do terror com os filmes de vingança e o diretor de La Mancha firma sua defesa do feminino (e dos transgêneros). Lâminas, falos, revelações finais desconcertantes, cirurgias plásticas e o amor desbragado de novelas. Diz ai, você vai olha da mesma forma para um homem vestido de onça depois desse filme? Fiqeu com o trailer  clicando aqui.


Taranta é o arquiteto da obra mais pop do gênero...você sabe de que estou falando: "It was not my intention to do this in front of you. For that I'm sorry. But you can take my word for it, your mother had it comin'. When you grow up, if you feel raw about it, I'll be waiting".

Minha avó se sentiu agredida pelo meu avô quando este raspou o bigode.
Resultado: o cara ficou um mês sem bife e recebendo um tratamento de silêncio monástico.
Ela se sentiu vingada.

25 de janeiro de 2013

Os Melhores de 2012

Die Götterdämmerung (Twilight of the Gods), opera, WWV 86d: Siegfried's Death and Funeral March by Wagner on Grooveshark
Quais filmes, que por qualquer motivo, perduraram em sua mente durante os últimos 12 meses? Quais te divertiram, assustaram, emocionaram, te fizeram questionar concepções antigas; quais nunca iram sumir de sua memória?
Desejo profundamente que o ano que passou tenha deixado um rastro de boas impressões cinematográficas em sua consciência e que não se tenha deixado levar pelo discurso preguiçoso de que tudo se repete e não tem mais importância. Não se engane, os obsoletos raramente sabem de sua condição e só sabem reafirmar discursos passados.
Sem mais delongas, vamos a minha seleção de filmes de 2012.

A Separação - Do Irã vem o filme mais tenso do ano. Sem heróis ou vilões um drama corriqueiro de uma família mediana se transforma num caldeirão de possibilidades nefastas dada a sociedade e mentalidade em que se gesta a trama. Não aceito os que acusam o diretor de manipular por esconder parte da estória de uma personagem chave, mas sem essa  omissão não há tensão. O triste é pensar na situação das famílias em sociedades intolerantes (seja de Teerã ao ricões do sul estadunidense) tende a ficar cada vez mais aterradora e sem um minuto de alívio. Fique com o trailer.

007 Operação Skyfall - Para mim, facilmente o melhor blockbuster do ano. James Bond sempre foi propaganda imperialista-machista embalada em música pop e mise-en-scene kitsch e, apesar do que a velharada diga a piscadela dada ao público não salvava a série de seus deméritos. A pretensão sombria e viril impressa na última trilogia Bond veio bem a calhar e engrandeceu o personagem no imaginário coletivo (pelo menos no imaginário de quem já tinha se enchido das forçadas da série antiga). E o que o diretor Sam Mendes faz nesse filme é ainda mais pretensioso e acertado. A melhor tradução do monomito de Campell que figurou as telonas num ano cheio de super heróis (mas o 007 está no mesmo patamar desses heróis não é mesmo). Apesar de Mendes jogar água no chopp de quem acreditava na teoria dos múltiplos bonds (eu sou um deles), a película delimitou origem e catapultou aos céus as possibilidades narrativas do personagem. Além de tudo isso, temos o melhor vilão da série que representa tudo que James Bond não é (feio, hi-tech, gay e covarde). Fique com o trailer.

Os Infratores - O homem solitário armado e o dinheiro (entenda-se business) são as molas propulsoras da narrativa mítica-histórica estadunidense (de sua fundação à contemporaneidade). Não a toa John Hillcoat (um de meus diretores preferidos) intercruza o filmes de gangster com o faroeste. Se engana quem achar que o condado de Franklin é um cenário mais abrasivo que em outros filmes do diretor (uma prisão de segurança máxima, o outback, o pós apocalipse e etc.). Aqui, também, somente os homens dispostos a perder e tirar sangue tem o direito de viver. A brutalidade extrema convive com tranquilidade dos cultos protestantes. Aliás, a cena do lava pés na igreja é deslumbrante. sem dúvida é o filme mais palatável de Hillcoat, porém ainda é sem par ao filmar a feiura e crueza de atos violentíssimos. Fique com o trailer.

A Bruxa da Guerra - Num canto pobre do mundo esquecido por Deus e principalmente pelos homens temos um inferno que faria os nove círculos de Dante parecerem a Disneylândia. Sem o talento de um Elem Klimov para construir sequencias avassaladoras em seu filme Vá e Veja, Kim Nguyen tem talento para filmar mazelas.  Pobreza extrema, aks-47 e balas em abundância, estupro de crianças, drogas, mutilações  fantasmas assustadores, solidão e tudo desembocando na mais pálida e dolorida desesperança. A estória da menina Komona é a pior que se poderia ouvir: logo após uma milícia tomar seu vilarejo ela tem de escolher entre matar seus pais a tiros ou ver um guerrilheiro estraçalhá-los a golpes de machete. Logo ela irá aprender que no lugar de seus pais ela tem seu rifle e os fantasma que a protegem e assombram. Qualquer alívio que vier em seu caminho será subjugado por dores maiores. O horror, o horror é continuo. E pensar que nenhuma ficção chegue nem perto dos horrores da vida real; alguém se lembra do Kony. Fique com o trailer.

2 Coelhos - O filme brasileiro escolhido veio por motivos justos: o filme se passa em SP; tem político se ferrando; o simples motivo de ser algo completamente diverso do que se faz no cenário nacional já vale o voto. É um filme divertidíssimo  apesar de confuso pelas jump cuts em excesso. Eu quero ver sempre qualquer espasmo de criatividade embrulhado em referências pop e se for cinema de gênero no Brasil (uma raridade), eu tô dentro. E na terra em que todos levam vantagem que tal se dar bem em cima de quem sempre se da bem? Demorou, né!? Edgar está completamente enrolado, então quando uma chance de mudar tudo aparecer (mesmo que ele tenha de pagar um preço), ele agarra com todas as forças. Quase escolhi a Febre do Rato (e não só pela nudez celestial de Nanda Costa), mas eu queria ter visto mais filmes nacionais esse ano...enfim... Assista esse ótimo filme aqui.

Minhas menções honrosas vão para: Holy Motors, Os Vingadores, Millennium - Os Homens que não Amavam as Mulheres, A Febre do Rato e A Invenção de Hugo Cabret.

Agora, as três melhores novidades das antigas que tive o prazer de descobrir esse ano.

Betty Blue - A loucura no amor e a loucura em se amar. Da mesma forma inexplicável e irremediável que Zorg se apaixona pela doidinha Betty, a película de Jean-Jacques Beineix roubou meu coração com todas suas belezas e defeitos. Houve uma geração de cineastas franceses da década de 80, da qual Beineix fez parte, que apesar de inconsistências tinham uma construção imagética linda. Certos momentos e quadros desse filme irão de acompanhar para sempre e se tornaram referência de romance. Zorg e Betty se amam muito e passam pelo que os grandes amores passam: de momentos engraçados, juras de amor, o vício no corpo do amado, terríveis brigas e pedidos de perdão. O mundo é muito pequeno para um casal assim. A gracinha Béatrice Dalle transborda sensualidade e inocência em sua nudez quase renascentista de ancas e seios naturais. Assista já esse filme aqui e aqui (em francês) e lembre que é NSFW.

Boogie Nights, Prazer Sem Limites - É no mínimo genial um filme que trata, principalmente, sobre a perda da inocência ter como ambientação a indústria porno. Mais  que isso, trata da brutal mudança comportamental que rolou dos loucos e libertários anos 70 para os restritivos e melancólicos anos 80. Do glam rock a AIDS; das salas de cinema ao VHS; dos Hell's Angels a Gordon Gekko. Eddie Adams (futuro Dirk Diggler) é um adolescente sem perspectiva, mas com um dom. O conflito com sua mãe irascível, um dos conflitos mais melancólicos da fita, o impulsiona a cair na toca do coelho e o mundo de carros, festa e sexo é um sonho ao alcance das mãos. A ambientação e principalmente o elenco de coadjuvantes com seus dramas e conflitos próprios fazem do trabalho de Paul Thomas Anderson algo primoroso. Fique com o trailer aqui. 

A Última Sessão de Cinema - Eta, vida besta, meu Deus! Num preto-e-branco que não remete a nostalgia e sim a decadência, Peter Bogdanovich gestou um dos melhores filmes da melhor geração de cineastas na História do cinema estadunidense. A melancolia enche a tela quando acompanhamos as desventuras Sonny e Duane numa cidadezinha perdida no Texas. Esses baby-boomers estão entre um passado glorioso (encarnado na figura Sam the Lion)  não vivido que se esvai na poeira, e um futuro de liberdade comportamental que ainda é uma novidade desajeitada. A vida banal e sufocante, os relacionamentos truncados pelos silêncios, os adultos mais desesperançados que os jovens, as ruas vazias, a guerra que se aproxima, a explosão atômica que seria o rock'n'roll e o cineminha caindo aos pedaços. O fim de uma geração e a inevitabilidade da mudança. Imperdível. Veja o trailer aqui.



29 de dezembro de 2012

Visões de um Futuro Imperfeito Parte V

Civilization by Justice on Grooveshark
Voltemos às obsessões, os fins...
Mais um fim de mundo e nada. Enquanto nós, entusiastas do fim, ficamos sem respostas esperando o segundo sol chegar. As questões suscitadas com a possibilidade do fim são as que mais interessam. Gosto de me pegar pensando nas possibilidades de arranjo que a humanidade encontraria ao se deparar com a pulverização de suas estruturas. 
Todos que se assustam com a possibilidade de chegarmos ao final do que entendemos por mundo devem se confortar pois o universo nem notará o calar de nossas picuinhas e aspirações. As estrelas continuaram explodindo e o universo expandindo até a hora derradeira.
E o cinema com isso? Vamos a mais uma seleção de filmes que tratem bem ou mal o assunto.

PS: Depois de muito ponderar conclui que a melhor obra sobre o fim do mundo que já tomei contato de longe é Neon Genesis Evangelion. Na real, é uma das melhores obras que já tomei contato, ponto. Merece um post, ou vários.

Pânico no Ano Zero - Harry Baldwin um pai de família acima de qualquer suspeita se vê obrigado a agir quando sua Los Angeles natal vai pelos ares depois de uma explosão nuclear. Essa pérola gerida no ápice da neura nuclear apocalíptica serve para reafirmar o vigor da truculência do selfmademan estadunidense. Mas sejamos francos: Harry, o pai da família Baldwin, é um dos poucos personagens que vi que rapidamente  entende toda a extensão do drama que está a enfrentar e, rapidamente, toma as rédeas da situação. Assista!!! Clique aqui.

4:44, O Fim do Mundo - Mesmo no fim do mundo Ferrara não abandona os elementos que lhe são mais caros: Nova York e o catolicismo. E quem disse que o fim de tudo não pode ser tedioso. Uma casal coma vida ganha e com os conflitos corriqueiros dos países ricos esperam pelo fim de tudo, e conversam e é isso. Enfim, nem sempre o Ferrara acerta. Veja o trailer aqui.

Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo - Steve Carrel continua fazendo o mesmo papel de sempre, Keira Knightley continua blá. E você, o que faria se os dias estivessem contado e anunciados na tv em rede nacional? O mise en scene composto pela diretora Lorene Scafaria foi muito acertado e agridoce ao focalizar as reações individuais e sociais à notícia do fim do mundo. E, enquanto as civilizações implodem Dodge e Penny buscam por alguma redenção. Sem as amarras que as consequências futuras trazem todos se entregariam às vontades e largariam os incômodos do dia a dia: empregos enfadonhos, relacionamentos infelizes, comportamentos comedidos. De certa forma seria o paraíso na terra. E você? Com quem iria querer dividir o paraíso? Veja o trailer aqui.

O Quinteto - Um fim de mundo branco, gelado, silencioso, desesperançoso e bêbado. A opção de Robert Altman por embaçar as laterais da imagem tentando dar um aspecto de gelado foi um experimentalismo bobo que não acrescentou a trama. Os cadáveres abundam e servem de ração a superpopulação de cachorros vadios que vagam nas poucas cidades restantes. Jogar o quinteto é o que resta a um povo que perdeu as esperanças pois a morte virá de qualquer lado. Veja o trailer aqui.

Mad Max - Fruto de um movimento cinematográfico cheio de grandes obras, a película de George Miller é a grande representante do cinema australiano (que dizer, depois do Crocodilo Dundee, claro). Num fim de mundo chamado Austrália nasce a lenda de mais um cavaleiro solitário. Max terá de ser talhado na tragédia para sobreviver aos tempos secos e impiedosos que virão. Max é um trabalhador competente, um operário que irá explodir quando tiver a chance. Sem histrionismos, Max pode ser muito cruel quando necessário ou na medida em que o mundo lhe empurrar para isso. Max é e será uma mistura de messias com Jim Stark. Um rebelde com a causa da sobrevivência e apreço pela proteção dos mais fracos. Começa aqui sua via dolorosa, sua terra santa serão infinitas estradas e desertos ao cheiro de gasolina queimada, seu evangelho será pregado sob motor e rodas de borracha. Esse filme foi o prenuncio do fim do mundo podre automotivo de combustível fóssil. Um filme imperdível. Veja esse clássico aqui.

Cherry 2000 - Esse é o tipo de filme que renova minha fé em Hollywood me fazendo lembrar com nostalgia de um tempo em que os cenários que o cinema apresentava tendiam ao infinito. Além da condescendência  com a estética oitentista, temos espetaculosas cenas de ação embalando atuações mínimas e uma trama que só vislumbra temas relevantes. Tudo isso no pacote clássico da indústria do cinema estadunidense: uma grande aventura e a possibilidade de romance com uma gata ao final da fita. Num futuro destruido nas mega cidades que restaram as relações homem-mulher ficaram tão estragadas que é muito mais tranquilo ter uma boa vida com uma androide programada para te agradar. Quando a robô pertencente a Sam estraga por muito uso ele parte para uma parte esquecida do mundo para achar uma substituta conduzido pela linda Melanie Griffith novinha. Veja já esse filme aqui.


Vai ser o fim do mundo se o próximo filme do Tarantino demorar pra sair no Brasil.

Ô Vó, e o apocalipse maia, hein!?
É oquÊ!?!?!?!?
Os maias previram o fim do mundo para esse ano...
Ai meu filho, o futuro a Deus pertence e esse tal maia ai num sabe de nada. 
É, num sabe nada mesmo...

26 de dezembro de 2012

DEATH GRIPS - THE MONEY STORE

E ai, qual foi o som que mais agradou seus ouvidos nesse ano que passa? Para mim foi um som muito agressivo, confuso e de difícil digestão. Em resumo, um som que os pais iriam odiar e que vai demorar alguns anos para que algo parecido passe nos meios de comunicação populares...quer dizer, perfeito. 
Death Grips é uma porrada, uma bifurcação entre o punk sujo de garagem, o hip-hop agressivo de outrora e a música eletrônica assustadora e dark de um Aphex Twin ou Prodigy. Tudo isso conduzido pelos vocais explosivos do ótimo frontman Stefan Burnett. Vida longa ao conjunto de Sacramento e espero que muitos disco venham por ai.


Minha menção honrosa vai para o The Swans com seu soco na cara em forma de disco The Seer.

Vamos começar na explosão com I've Seen Footage


Se quebre com The Fever (Aye Aye)


Fechando com uma "calma" Get Got

THE CRAMPS - CAN YOUR PUSSY DO THE DOG

Última segundabilly do ano vai com a maior banda de todos os tempos...Dança meu filho, dança...

19 de novembro de 2012

Assassinos bem pagos

Rifles by Black Rebel Motorcycle Club on Grooveshark
Os homens que vivem pelas armas, homens que fazem do matar seu ganha pão. Esses caras que encaram o gatilho como instrumento de trabalho e enxergam nos olhos das vítimas cifrões. Aos melhores do ramo a vida é curta, aos menos talentosos a morte ou a cadeia são destinos mais imediatos. Esses homens não podem exitar ou se pegar questionando sua posição no mundo pois estão na mira de alguém mais rápido e bem pago.
Os assassinos profissionais tem muito poder nas mãos. Porém as armas que carregam miram conforme as intenções dos que pagam pelo serviço.
São filmes claramente masculinizados e, quando bem compostos, carregam o peso e tragédia da sina dos que escolhem o assassinato como meio de vida.
Lembrando que já comentei aqui e aqui sobre os melhores filmes já feitos sobre o assunto (estou falando de Matador em Conflito).

Um Homem Misterioso - Qual o preço a se pagar por ser um homem letal? Vigilância interminável, músculos indefinidamente tensos e sonos intranquilos. Jack mata por encomenda e espera e espera. E ele teme, teme e teme por saber que há uma bala com seu nome. É só baixar a guarda e boom...se foi. Jack tem método e paciência mas nem a bucólica cidadezinha italiana é capaz de baixar sua guarda. Só pela citação a Era Uma Vez no Oeste já respeitei. Anton Corbijn foi muito feliz ao tentar me tencionar, suas tomadas de Jack andando pelas ruelas do vilarejo te deixam em alerta continuo. Honestamente, prefiro Corbijn em seu costumeiro e eficiente p&b. Fica com o trailer.

Na Mira do Chefe - Há quem o coloque entre os melhores filmes da última década, não sei se é para tanto, mas é um filmão. Ray e Ken tem muito sangue nas mãos e depois de um trabalho atrapalhado eles tem de se refugiar na charmosa e medieval Bruges. A aparente tranquilidade da cidadezinha será despedaçada pelos diálogos cortantes e angustiados dos protagonistas e, posteriormente, pelas balas que irão riscar o ar quando o passado vier cobrar seu preço. Da uma espiada no trailer.

Nikita, Criada Para Matar - Me impressionam as "acusações" a estética publicitária utilizada por Luc Besson em seus primeiros trabalhos. Para mim é um grande mérito e o que me atrai estilisticamente. Compro a estética totalmente e valido como competente. O personagem Uncle Bob, interpretado por Tchéky Karyo, vai transformar a fórceps uma garota drogada e descontrolada em uma lady capaz de quebrar pescoços. Sem dúvida um cult. Fica com o trailer desse filme imperdível.

O Matador - Pierce Brosnan conseguiu a verdadeira proeza de te fazer esquecer que um dia ele foi a o agente secreto mais classudo da Rainha interpretando um tipo careteiro, brega, chucro, bêbado  de bigodinho e mortal.  Esse é o tal de Julian Noble que lá pelas tantas vai ficar amigo de um vendedor pacífico e se meter nas maiores confusões. Disso ai surge um roteiro que fala sobre amizade entre opostos (ou não tão opostos assim) e como certas linhas não deveriam ser ultrapassadas para manter-se a amizade. Tudo isso com muito cinismo e gracinhas. E por falar em gracinhas a cena do tubarão na piscina é hilária. Dá uma olhadinha no trailer.

Assassino a preço Fixo - Impressionante, e sintomático, o quanto esse filme nos entrega um final muito mais seco, melancólico e desesperançoso que sua regravação. Charles Bronson continua uma rocha, mesmo com o cabelinho rebelde na testa. Podemos pensar nessa estória como alusão a nova geração (desleixada, drogada e imediatista) tentando engolir a velha (monolítica, metódica e pouco imaginativa). Uma versão anos 70 do analógico versus o digital. Tá afim de assistir essa pérola setentista? Clica aqui então.

The Killer, O Matador - É aquele exagero de pombas brancas voando? É. Tem aquelas cenas de tiroteio com munição infinita? Tem. Tem aquela trama de triângulo amoroso mais bobinha do mundo? Sim. Tem o vilão caricato, sua turba infinita de capangas e o herói honrado e protetor? Tem também. Então por que raios se assistiria esse filme? Pois de 10 em 10 minutos John Woo nos presenteia com uma cena de ação simplesmente genial; um ângulo, uma tomada sinuosa de tirar o fôlego. Por isso vale a assistida. Clica aqui para ver o filme.

Tarantino assistia esse tipo de filme todos os dias comendo seu cereal matinal antes de ir para escolinha...

Que me lembre a unica vez em que minha Vó foi tomada por uma inclinação assassina foi quando ela viu que meu Vô tirou seu bigode cultivado há 75 anos...Tenso...

13 de novembro de 2012

MILTON NASCIMENTO - MINAS

Milton Nascimento é desses artistas dos quais esse mundo não é digno. De uma habilidade vocal que arrepiava  ele lapidou esse diamante intitulado Minas em 1975. Uma obra que guarda muitas surpresas como a linda música de abertura. O disco soou como um verdadeiro alívio em meio a tempos negros de linha dura da ditadura. Esperança, saudades, melancolias,  horizontes ensolarados, tranquilidade, surpresas e completude flutuam a audição dessa obra prima.
 Um desses disco que irei ouvir por toda vida.

Ao vivo a monumental Simples


A linda de doer Idolatrada

E fechando com a etérea Minas