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31 de dezembro de 2011

INTERPOL - ANTICS

Meu disco preferido do Interpol. Aqui ficamos com a impressão de que Paul Banks e sua trupe nos levam em uma viagem para longe. Como o barco partindo para alto mar a saudade de alguém que ficou e, possivelmente, nem liga que você partiu te dilacera. As músicas cresceram, ficaram mais heroicas e até iluminadas. Interpol pode se orgulhar de ter tido o baixista mais cool da História.

Uma dançante para os amantes Slow Hands


A minha preferida num ao vivão Not Even Jail


E para celebrar os amores nunca alcançados C'mere

7 de dezembro de 2011

INTERPOL - Turn on the Bright Lights

Para começo de conversa: uma das minha bandas preferidas (e da Azaelia Banks também, rs.). Lá para 2003 fiquei sabendo dos caras e ai fui fisgado. Pelo fato de que pós-punk e afluentes me interessam muito. Deixa o Joy Division de lado e repara como o Interpol tem muito mais de The Cure e The Chameleons. Sem falar na postura cool.
Esse disco com suas melodias espirais nos leva a passear numa Nova York sombria, pré-11 de Setembro, em que um rapaz nos seus 20 e poucos anos, carregando sua namorada suicida que dorme em centenas de sofás, que sente uma dor por sei lá o que e que vem sei lá de onde. Paul Banks canta um cansaço e a certeza de que cabe a cada uma força para sair desse estado de espírito.
It's up to me now turn on the bright lights.

Vamos começar com a assombrada Obstacle 1


Agora grite como o Marlon Brando Stella was a Diver and she was always down


Fechando com PDA

23 de julho de 2011

Ricardo Darín um Coolzão Argentino



Coolzão, por quê? Por ser bróder do John Cusack. Por desempenhar sozinho no cinema argentino a função de Selton Mello, Wagner Moura e Lazaro Ramos juntos, 99% dos filmes hermanos de vulto saem com ele no elenco, ha! Porque ninguém fala palavrão com tanta integridade quanto esse homem. Pelas olheiras e olhar cansado, como um bulldog, que geram tanta empatia. Por já ter beijado dezenas de belíssimas compatriotas em cena. Porque o cara já virou diretor de cinema. Pois já virou marca, daquelas que levam um filme nas costas e multidões as salas de cinema.
Admiro muito Ricardo Darín, um legitimo coolzão. Um ator muito centrado e que mesmo em papéis menores consegue magnetizar a câmera para si. E não sei bem explicar o que é (esse não saber o que é é a base de ser cool) essa presença Darín em tela. Vai ver é o jeito que ele canta as mulheres, vamos aprender... Ou talvez a velha simples e efetiva simpatia (salve!), nada mais cool do que ser simpático. 
O cinema Argentino da última década foi tão bom que não ousaria considerar a atuação de Darín nesse cenário como o grande acontecimento, apesar de estar entre suas grandes atrações. Acho que daqui algumas décadas iremos visitar Buenos Aires e nos deparar com uma bela estátua do cara. Vamos a uma pequena seleção com a atuação do hermano. 

O Filho da Noiva - Filme simpatia, sabe? Difícil não se encantar (bem, os desencantados são numerosos). Abriu portas ao público geral para toda produção hermana que viria a seguir. O que me encanta nos filmes de Campanella são suas coleções de bons personagens e aqui temos um timaço. Norma Aleandro é incrível na sua atuação tocante. A cena da reconciliação de Rafael com sua amada contada através do videofone do prédio é uma composição de mestre. Sim, é um filme imperdível.

Abutres - Penso ser uma estória inusitada de amor em meio a uma guerra com pitadas de Noir. E que final arrebatador, uma porrada. Após a sessão vale ouvir Killer Cars do Radiohead. Corpos mortos e mutilados no meio de metal retorcido e os abutres circulando no céu. A briga é entre abutres, quem lidera o bando? Quem fica com as melhores carniças? Sosa se aproveita do mutilados para viver e no meio do seu caminho aparece Luján, a enfermeira para cuidar de suas feridas, todas elas. Acho que daria para encaixar essa narrativa tranquilamente para nossa São Paulo contemporânea. 

O Sinal - É um Noir e pronto (odeio neo qualquer coisa). Noir com pitadas tipicas portenhas: peronismo, milongas e Darín. E diga-se, um Noir visualmente muito classudo, filmado com economia mas extrema elegância e cuidado na recriação de época. Só peca por seguir a cartilha com um afinco que nem os inventores do gênero eram capazes. Faltou inovação de roteiro. Ponto para Darín, boa estréia na direção.

As Nove Rainhas - Toda a malandragem argentina. Um desfile de ladrões, corruptos, escroques, pungistas, estelionatários, falsificadores; a fauna mais comum e completa das grandes cidades. A primeira vista o enredo pode parecer elíptico e muito engenhoso, mas, no fundo, é bem simples. As pistas estão encobertas e há alguma espécie de presença invisível. A questão é: quem está passando a perna em quem? Acho que ficaria melhor sem a grande virada final, ficou "engenhoso" demais, mas vá lá. Divertido.

O Mesmo Amor, A Mesma Chuva - Amor vai chovendo e o tempo passando e a amargura pelo que perdemos vai acumulando. Alguma esperança. E o mundo vai girando: a maldita ditadura, a maldita guerra, a maldita economia. O tempo passa e onde fica o amor de Jorge e Laura? Todos torcemos que volte a chover e que eles se encontrem. O filme tropeça, poderia ser um romance memorável. Vi que vários críticos se sentiram pessoalmente ofendidos com o personagem que Darín interpreta (um crítico teatral corrupto), acho engraçado.

O Segredo de Seus Olhos - Merecidíssimo Oscar. Adoro as quebras de tom que Campanella imprime em seus trabalhos e que confunde tanto a cabeça de certos críticos caolhos para significados. E a cena no campo de futebol é esplêndida sim. Darín e Soledad Villamil (linda e elegante) fazem sempre uma grande dupla na tela. Alguns falam do noir mas a mim me toca a estória de amor latente e velado entre Irene e Benjamín (estórias de amores não realizados sempre me afetam). Até onde vamos por um amor que nos é tirado? Desses que não nos conforma, não nos deixa dormir por saber o que perdemos. Vingança, o mínimo. Pode levar tempo, pode haver uma maldita ditadura no caminho, pode haver isso que chamamos de justiça. Punir, o mínimo. Um filme que não tenta se vender, muito econômico, seguro e que não se impõem como importante, deixa ao espectador captar a importância que quiser dar. Assista.      


Seria incrível se o Tarantino chamasse o Darín para fazer papel de um assassino bom de carteado e galanteador.


Vó, nos seus tempos de baile vocês dançavam tango?
Não não, a gente dançava valsa. Era dois pra lá dois pra cá.
Mas e o tango Vó, tão bonito!?
Não...muita libertinagem. Muito rala coxa. No meu tempo num tinha essas coisas...
Tá certo.


5 de novembro de 2010

Jean Reno um Coolzão Francês

Esse post vai ser dedicado a outro grande ator que esta na minha galeria de ícones. Ele é um excelente ator que toma decisões ruins na hora de escolher certos papéis, é verdade. Quer saber os motivos desse cara ser fenomenal na tela?
São os olhos semicerrados em qualquer situação. É a atitude “I don’t give a fuck” mesmo quando o mundo ao redor se esfacela ou o amor de sua vida sai porta fora. É o nariz exuberante, a segunda principal instituição francesa masculina (logo atrás do adultério). É o punho da potência de um meteoro. É o fato de cobrir qualquer outro ator em cena quando seu corpanzil aparece impávido. São as poucas palavras antes de puxar o gatilho. Porque quando ele atira a bala vai para onde ele quer. É o fato de ter virado um personagem de videogame. É o fato de ser um cara bem engraçado, a sua maneira. E é porque ele de bigode é mais estilo que você de terno Armani.
Jean Reno uma força da natureza. A testosterona na forma mais elegante e blasé que a natureza já concebeu. Um símbolo de macheza inalcançável. Vamos a uma pequena seleção de filmes que tentam fazer jus ao grande ator francês.

Subway – Visualmente classudo, apesar dos imperdoáveis deslizes capilares e de vestuário dos anos 80. Uma história sobre cair na toca do coelho e descobrir um mundo maluco lá embaixo. Um pouco abaixo das solas de seus pés outro universo descortina. A urbanidade esconde uma infinidade de experiências inalcançáveis para o resto da humanidade. Luc Besson (que já foi o salvador do cinema francês) se apropria de elementos das Bande Dessinée para contar uma aventura frenética (no primeiro segundo da fita percebesse que não haverá descanso para o espectador). Claro que Monsieur Reno rouba a cena. Sem falar nada ele diz mais que um discurso de Fidel.

Imensidão Azul – Outra parceria Reno/Bresson. Um filme lindíssimo, lindíssimo. A narrativa clássica do caminho do herói. Ou a narrativa de uma amizade inquebrável carregada de todos seus elementos: admiração, inveja e competição. Ou uma história de um amor rápido e explosivo. Ou a história de integração total de raros humanos com o seu meu ambiente. Um filme que mostra que Jean Reno foi o primeiro garoto da turma a ter pelo no peito, e claro, o cara debulha em cena, engraçadíssimo. E amor só o de mãe mesmo. Assista!

O Profissional – Um dos filmes da minha vida. A equação é a seguinte: Jean Reno no seu papel mais icônico + Natalie pré-adolescente e incrível Portman + Gary Oldman no seu usual pscicopatismo + Danny badass mudafucka Aiello + Nova York limpidamente enquadrada de seus telhados = um dos melhores filmes dos anos 90. 

Ah, esqueci, a imitação que Jean Reno faz do John Wayne é de fazer o Wagner Moura parecer um ator de buffet infantil.


Os Visitantes – Uma comedinha que não faz mal a ninguém. Senhor Reno é obviamente superior (até porque ele é um nobre guerreiro) a qualquer outro ser que aparece na tela. É notável como são mostrados os costumes e alguns maneirismos medievais em comparação com os do homem moderno. Evoluímos? Sim, evoluímos.

Ronin – Alguém realmente páreo para o Monsieur Reno, Robert De Niro. Um dos grandes filmes de espionagem da era pré-Bourne. Ditou as regras para o gênero no mundo pós-queda do muro de Berlim em que antigos servidores de bandeiras ficaram ilhados sem as diretrizes de seus headquarters. Esses fantasmas vingativos vão ter de se integrar aos novos tempos, soldados sem generais viram mercenários e a vida passa a valer algumas cifras. Perseguições de carro embasbacantes nas ruas francesas, traições e vinganças. Um prato cheio para um sábado à tarde.

Wasabi – Tá certo, não é lá um grande filme, mas tem seus momentos. Como conquistar uma mulher Jean Reno style. Como lutar contra a Yakusa Jean Reno style. E a filha japonesinha nariguda é uma piadinha engraçada. De Paris a Tóquio, com seu revólver 38 de meio metro, o cara domina a situação.

22 Balas – Poderia ser um filme de máfia memorável, mas dá suas escorregadas por querer mostrar bandidos com coração e outros malvadões que pisam no pé de velhinhas. Não me venha com moralidade de bandido, nem de polícia, nem de velhinhas. As filmagens são belas e ensolaradas e o Jean Reno agüenta 22 balas no corpo, ele cospe na cara do 50 Cent.

Tarantino está esperando para criar um roteiro digno desse ator imortal. Mas ele deu o nome de Reno para sua moto Harley Davidson.

Minha Avó da risada horrores com o narigão do Jean Reno.

18 de setembro de 2010

John Cusack, um Coolzão

JC. O mito, a lenda, o cara. Não é só um ator, é um comportamento, uma grife, um estilo de vida, uma meta a ser alcançada. De jovem promessa a ator consagrado. Atuou na fina flor da sétima arte e em enormes bombas da indústria. E além de tudo isso é meu ator norte-americano favorito.
Por alguma conjunção cósmica não identificada em 99,9% de seus filmes ele divide a cena com algum monstro do cinema, tão ou mais legal que ele, e não faz feio. Tão legal, mas tão legal que sempre que possível leva sua irmã para as empreitadas.
A fleuma, os ombros caídos, olhos pequenos, o cabelo pra trás, os movimentos contidos e todas as melhores frases. É sensacional o caráter de eficiência e resolução em suas interpretações sem perder a ternura jamais (ou a humildade, que seja). Repare como em qualquer (qualquer) filme que o cara atua, mesmo não sendo o principal, ele herda os personagens mais bem resolvidos, com um carisma extremo, mas contido. Sem gritos ou gestual histriônico a câmera é sempre roubada para sua atuação.
Esse cara nunca vai ganhar um Oscar, o que o reforça na galeria de atores essenciais. Para compreender o que é John Cusack é necessária observar com calma, assim sendo vai uma lista inicial e básica para saber que nem nascendo duas vezes você vai ser tão cool assim...E não, não vai rolar Alta Fidelidade (muito óbvio,  e vai ficar para uma próxima lista).   

Garota Sinal Verde – Há de se perdoar todas as comédias oitentistas, sempre, mas nunca será passível de perdão as traduções absurdas de títulos de filme em nosso país. Para quem se daria o melhor papel: do cara legal que leva a faculdade  na boa e fica com a gatinha? JC. E tem o Tim Robbins fazendo o chatão...

Diga o que disserem – A estória se passa em Seattle, um acerto. E antes da explosão do Grunge, dez acertos. “Prepare-se para grandeza, Lyoid”. Cara, que belo filme, com o gostinho dos filmes do John Hughes, com mais complicações. O mundo estava se complicando. Ainda se mandava cartas nessa época...cartas!!! Bons tempos. E o John Cusack usando camiseta do The Clash; chorando na chuva; lutando Kickboxer e sendo um adolescente normal. Monumental!!!

Tiros na Broadway – Quem encarnaria a persona de Woody Allen com maestria e ainda imprimindo sua marca? Fácil, John Cusack. Na minha opinião, o filme de época mais bonito do diretor. Vale pelas risadas que provoca e a gostosa iluminação remetendo à sépia. Peca pelo final frouxo.

Matador em Conflito – O ápice de sua carreira. O filme que resume sua condição de astro cool moderno. Um assassino profissional em crise de identidade, fazendo análise (Tony Soprano my ass). Humor Negro da melhor qualidade. Uma das melhores trilhas sonoras de todos os tempos, fácil fácil. E para variar JC divide a tela com o lendário Dan Aykroyd, o excelente Jeremy Piven e Hank Azaria e a musa quase esquecida (mas não menos musa) dos anos 90 (uma década cool) Minnie Driver.

Além da Linha Vermelha – Num dos três melhores filmes sobre a Segunda Guerra Mundial, e certamente um dos melhores filmes norte-americanos sobre guerra lá estava, no campo de batalha, John Cusack. Um elenco profético com nomes que iriam dominar as telas na próxima década.  Há um louco nas montanhas gritando o fim do mundo enquanto granadas despedaçam jovens sonhadores. Terrence Malick e seus travelings de câmera irretocáveis. A existência do ser humano explicada em meio à guerra. A solidão, a incomunicabilidade, e o esfacelamento dos portos seguros. Todos homem é sim uma ilha e a grande busca é pelo direito de se descançar em paz, mesmo em meio ao horror. 

Quero ser John Malkovich – John Cusovich. John Malckusack. Um Spike Jonze legítimo para ser devidamente apreciado é necessário ao espectador abrir as portas da percepção. Pois certamente será algo que você nunca viu antes. A imprevisibilidade é o signo (diferindo de 90% dos filmes produzidos que em 15 minutos de projeção você já sabe exatamente onde aquilo vai dar). Que tal ver o mundo na perspectiva de outra pessoa? Quem nunca sonhou com isso? E as consequencias nefastas desse sonho? E o John Cusack com isso? Ele interpreta um titereiro que faz uma versão  do romance de Abelardo e Heloísa...Putz, nada a acrescentar.

Procura-se um amor que goste de cachorros – Até em filme ruinzinho esse cara é o cara: camiseta do Ramones, fã do Doutor Jivago, construtor de barcos irlandeses e pega a fenomenal Diane Lane. Sem mais, é um herói.

WAR INC. – Encontro entre o Senhor das Armas e Michael Moore. Um filme de malditos democratas. JC + Marisa Tomei eleva o coeficiente de cool à décima potência. Frase de Brand: “Sabia que a palavra “pessoa” vem do latim “persona”, que significa “máscara”? Talvez ser humano signifique convidar os outros para verem por trás da máscara”. Pena que o final decepcione tanto, poderia ser um filme memorável. 

Tarantino acha ele tão legal, mas tão legal que batizou a sua Jacuzzi de Cusack.

Vó!?!?
O Vó!?!?
Fala baixo que a véia tá dormindo!
Ah, foi mal Vô...