Bem, vamos falar de Arte com a maiúsculo. Do tipo que quando você esbarra o olhar sua vontade fica a mercê dos caprichos planejados pelo artista. Uma peça artística tão vivaz e eloquente e bela que te provoca saudades de tempos que não vivemos. E digo mais: falaremos de uma obra que proporciona uma experiência de apreciação estética e nostálgica com intensidade capaz de te levar a memórias de infância adormecidas pela letargia da rotina da vida adulta. Vamos falar de uma animação que trata do salvador, do protetor, do bem encarnado...do Superman.
Os estúdios Fleischer alcançaram com essa série animada - e entendam que eu não exagero em nada com essa colocação - a definitiva e até hoje insuperável tradução do mundo dos super heróis dos quadrinhos para outra "mídia". Ainda que mentes contemporâneas possam reclamar da estrutura engessada dos capítulos - A Srta. Lois Lane se mete na encrenca com um bandidão e o Super aparece para salvá-la e salvar o dia -, não há como negar a tremenda ousadia em apresentar aos infantes da época (e tenho certeza que surtiria o mesmo efeito na molecada de hoje) mafiosos assassinos, desastres naturais horríveis, o Hitler, cenários muito sombrios, Godzillas e um homem de vontade invencível e coragem necessária indo contra tudo isso.
Capítulos como The Mechanical Monsters, Billion Dollar Limited e The Bulleteers enchem nosso peito do mais puro e claro heroísmo. Já capítulos como Japateurs, Eleventh Hour (neste Superman funciona no lugar das bombas atômicas que atingiram o Japão) e Jungle Drum nos entristecem pelo uso patriotesco e xenófobo dado a um símbolo tão forte quanto o Superman. Talvez até nisso a série bem suceda, mesmo que involuntariamente: mostrar o lado fascista e preconceituoso daqueles que inventam e desenvolvem os super heróis.
Falar da arte é covardia, com um traço limpo, cores reluzentes, cenários de tirar o fôlego, é uma tradução exata dos atos do homem de aço que inegavelmente te faz querer ver deuses cruzando o céu.
Essa é a chave, a tradução artística dos estúdio Fleischer imprime com beleza estonteante a luta de um deus andando entre mortais e enfrentando desafios a altura.
Não vamos deixar de mencionar as influências que essa obra produziu através dos anos e se esparramaram principalmente pelos trabalhos de Bruce Timm e Richard Donner.
A série dos estúdios Fleischer é uma semente esperando um campo fértil (o coração ou a consciência) de quem assisti-la para germinar as mais variadas formas de heroísmo.
No cinema pode até ser diferente, mas nas animações a DC chuta a bunda da Marvel desde sempre.
Olha lá no céu! É um pássaro!? É um avião!?...
Esse post é uma homenagem para todos os fãs do azulão...para uma em especial.
A arte cinematográfica sempre foi exibidinha. Quando surgiu era hábito de pobres e maltrapilhos que assistiam isso que se chamava de filme em circos e freakshows. Foi tomando o mundo de assalto e virou a arte mais admirada e influente de nossos tempos. Mas desde sua primeira exibição, quando a platéia saiu correndo apavorada com o trem que corria em sua direção, essa arte sempre teve a pretensão de mostrar o mundo ou um mundo melhorado.
Os Quadrinhos sempre foram periféricos. Tiveram um boom de consumo nos anos 30 e 40, mas sempre foram restritos e associados como arte falha e menor.
O Cinema precisava de certas vitaminas para se desenvolver. Tomou idéias e adaptou obras de outros fazeres artísticos (principalmente da literatura e algumas coisas do teatro) e foi ganhando corpo e desenvolvendo-se com idéias próprias do meio.
Os quadrinhos também figuraram de forma tímida e pouco cuidada nas telonas nesses anos de começo do cinema. Nos 60 anos que seguiram de sua popularização surgiram gênios e revolucionários da nona arte bem como um sem número de obras primas.
Uma dessas artes é pura imagem e som. A outra retorna a origem das escritas em que o desenho e a letra não eram em absoluto dissociados para narrar. O fato de que um dia iriam se imbricar foi bem natural. E essa fusão é bem salutar a todos. Claro, ficam um ou outro corpo pelo caminho, fatalidades. E a lição que fica é que uma arte instigue a outra e que instigue seus admiradores para que migrem de tempos em tempos por essas e todas as outras formas de representação.
Vá ler um bom gibi e vá ao cinema. Vá!
Rocketeer - Tanto o gibi quanto o filme são puro descompromisso e ação deliciosamente descabeçada. Só me incomodou a falta completa de sensualidade na personagem Betty interpretada por Jennifer Connelly e da patriotada chata e escrota do terceiro ato. De resto é uma sessão da tarde deliciosa. Tudo é homenagem: aos heróis espaciais de matinês, pin-ups, heróis da era de ouro e pulps, Errol Flynn , a era dourada de Hollywood. O filme veio numa pequena onda de adaptações começadas por Tim Burton em seu Batman e por Warren Beatty em Dick Tracy que não tinham qualquer compromisso com o realismo atual das adaptação de quadrinhos para a tela grande. Um bom filme.
Constantine - Sim, ele não é loiro, não é inglês e usa aquela arma crucifixo ridícula, mas que filme divertido. Visualmente bem bonito e filmado com dinamismo. A unica coisa que me incomodou foi restringir a atuação mística de Constantine a cosmogonia cristã e esquecendo outras vertentes da metafísica. Constantine é, no fim das contas, um detetive de noir bem filha da mãe e canastra, Keanu Reeves vai na veia nesse sentido e dá bem certo como o personagem. Gostei do uso de Los Angeles como cenário escolhido, é uma cidade bem plural em etnias e bem fantasmagórica. Ótimo filme.
300 - Eu adoro as abundâncias de imagens e a secura de conteúdos no cinema de Zack Snyder. As imagens compensam. Sempre tem reclamões. Quem leu a versão de Frank Miller para um dos grandes embates da História xiou com inconformidades históricas (bem, nunca acusaram o senhor Miller de realismo, melhor para ele e para seus leitores). Cinema não é máquina do tempo e não tem obrigações para além do estilo. Assim o exercício de estilo e narrativa de Miller encantou e levou muita gente a buscar outras narrativas para os "fatos". Muita gente xiou mais ainda com a adaptação de Zack Snyder, mas a absoluta maioria se divertiu aos montes e gritou SPARTA ao final da sessão. Para mim, como fã da série em quadrinhos de longa data, achei uma das melhores adaptações de todas. A transcrição quase quadro a quadro dando movimentação por vezes frenética e muitas vezes morosa para que se aprecie o quadro em plenitude funciona e muito. Até a palheta de cores de Lynn Varley foi respeitada. Os dois trabalhos muito iconoclastas são perfeitos para expor esse conto de macheza e de códigos de conduta irrecuperáveis (Graças a Deus!) em nossa atualidade.
PS: Mas nada do que eu diga merece atenção em comparação com a analise crítica e semiótica do lendário Alborghetti. Ouçam com atenção.
O Sombra - Um filme realmente decepcionante. Um grande personagem desperdiçado numa trama rala com um antagonista sem a menor relevância e personagens coadjuvantes sem qualquer atrativo para quem assiste. Sim a caracterização do Sombra é ótima. É outro filme que veio na onda do Batman de Tim Burton, só que o grande referencial mal usado por Russel Mulcahy na composição desse filme é o Dick Tracy de Warren Beaty. Alias, a Nova Iorque do Sombra se parece demais com a Gotham City de Batman. É óbvio que Alec Baldwin "funciona" muito mais em comédias. O Sombram surgiu nas pulps e foi parar nas HQs antes de ir para os cinemas. Esse personagem e sua mitologia são fruto da ficção do começo do século XX que ainda via áreas de colônias e ex-colônias com encantamento e temor ao mesmo tempo via a vida nas grande e modernas cidades com violências inimagináveis gritando nos noticiários diários.
Marcas da Violência - Um do filmes mais interessantes da última década. Um David Cronenberg contido em bizarrices, mas largo e hábil em fotografar violência extrema. Não deixa de ser uma história de herói. Não o herói que esperamos mas um herói com camadas e um passado para carregar. Um fingidor; um arrependido ou um predador esperando para dar o bote? É numa daquelas cidadezinhas norte americanas só que o roteiro funcionaria em qualquer cenário: na São Paulo de hoje, em Tóquio do século XIX ou num deserto do velho oeste. Temos aqui uma das melhores cenas de sexo do cinema. Um filme sobre fantasias e como não é possível mantê-las indefinidamente (o mundo real cobra): fantasia de Cheerleader, de bom cidadão, bom pai, de um casamento perfeito, de cidade pacífica e de tranquilidade para dormir. Assista já.
Kick-Ass, Quebrando Tudo - Subversivo, ahm!? Violento Colorido Pop. Que audácia colocar uma menininha falando "You Cunt". Claro que a Hit Girl, principalmente, e o Big Daddy são as melhores coisas do filme. Mas da para falar da celebrização imediatista e como ela consome as pessoas em tempos de internet, bem como o culto a celebridades que são só imagem e coragem de figurar de maneira vexatória e muitas vezes suicida no youtube (vide o Kick Ass se tornando conhecido após ser filmado levando uma surra). Um herói precisa ser moído e penitenciado em seu caminho de ascensões e quedas.
Tarantino cadê o seu Sombra? Aguardaremos sentados...
Mais uma singela seleção de películas adaptando obras da Nona arte para as telonas. Vamos continuar um pouco longe de filmes da Marvel ou da DC Comics (falaremos de alguns deles em outras oportunidades). Lembrando sempre do trabalho ingrato que é adaptar uma arte de possibilidades infinitas como as Histórias em Quadrinhos (como já vociferou o Mago Maior Alan Moore) para qualquer outra forma de arte, mas não vamos esquecer nunca a atração fatal e inescapável exercida em nossas mentes pelas imagens em movimento. Como um admirador irrestrito e irredutível da Nona Arte, e sabedor de sua superioridade artística, tendo a assistir suas migrações para outro veículos com simpatia e paciência e acabo por te mais alegrias que tristezas. Recomendo o mesmo a todos...
E, nesse campo, a coisa que eu mais queria ver na telona era O Dobro do Cinco do Mutarelli. Com certeza seria demais. Aguardemos...
Corto Maltese: Corte dos Segredos Arcanos - Corto, um cigano, um marinheiro. O personagem mais elegante a estampar uma página de quadrinhos ou uma tela de TV ou Cinema (tão elegante que já inspirou coleções de alta costura no velho continente). Corto vaga pelos últimos momentos do Romantismo. Ao lado de Rasputin e citando Rimbaud ele cruza e testemunha a gestação das maiores revoluções do século passado. Corto é um herói (?) melancólico, o romantismo esta acabando. A Era da Técnica e o avião que ressabiou Corto se impõem. Corto esta na intersecção exata entre a Era das Revoluções, do Capitalismo e dos Impérios. Corto Maltese é Arthur Rimbaud, é Blaise Cendrass e James Bond. Ele descobriu o mundo quando ainda havia mundo para descobrir.
Ghost World: aprendendo a Viver - É, Scarlett Johansson é uma bela atriz ruim desde sempre. Mas o Steve Buscemi sempre compensa. Tem Skip James na trilha sonora, três pontos positivos. Alguns anos antes de Napoleon Dynamite vem esse humor negro de comédia enfileirando muitas referência de cultura pop e tosqueira pop e focando de forma clara e clássica os outsiders da América (mostrando que eles são legais, tem coração e erram como todos nós) sem esquecer de ironizar absolutamente o pedantismo e o politicamente correto da pátria. Quer entender sobre arte moderna? É só ver as aulas de arte de Enid, hilárias. Mas Enid é uma egocêntrica chata...
O Máskara - Pois é, dos quadrinhos para Sessão da Tarde. O alvo do filme é o público infantil e a família reunida Domingo de tarde. E, talvez, nenhum filme tivesse tanto contexto para o senhor Jim Carrey exercer suas infinitas caretas. Claro, a carga de humor negro, violência e crueldade do personagem principal, nos quadrinhos, foi bem diminuída para caber numa filme pipoca. Ainda sim é extremamente divertido.
As Tartarugas Ninjas - Cara, foi um fenômeno o que esses personagens foram no começo dos anos 90. Não tinha menino que não gostasse. E não sem motivo: personagens bizarros e extremamente improváveis, pizza, artes marciais e nonsense. Foi desenho, bonecos, videogames e, claro, adaptações cinematográfica. Tudo extremamente bem sucedidos. Toda essa onda derivava das HQs originais que tinham uma ambientação muito mais sombria e violenta do que chegou aos olhos dá molecada, mas está valendo. Mesmo com as fantasia meio capengas para meninada de hoje ainda é diversão na certa.
Anti-Herói Americano - Décadas antes dos realities shows um senhor ranzinza pacato, colecionador compulsivo de discos e morador de algum sovaco dos EUA resolveu compartilhar toda sua intimidade para o resto do mundo através dos quadrinhos. Nessa representação cinematográfica (que confunde biografia com adaptação de obra) temos uma simpática homenagem a Harvey Pekar (e que interpretação incrível de Paul Giamatti). Filme imperdível.
Hellboy II: O Exército Dourado - A atuação de Ron Perlman e a espetacular direção de Guillermo Del Toro sustentam esse filme. Não sou fã dos quadrinhos (nem dos filmes), o enredo é aquele de sempre, mas o trabalho visual do filme é de encher o olhos. Del Toro encanta: seus monstro e cenários ao mesmo tempo atraentes e repulsivos, suas engrenagens e simbologias religiosas. Sem falar que o elfos desse filme são extremamente elegante e assustadores (atente para as cenas de luta protagonizadas por Príncipe Nuada maravilhosamente bem coreografadas).
Tarantino nos deve uma adaptação dos quadrinhos. Talvez de um Mangá...Quem sabe!?
Minha Avó se esborracha de rir vendo o Máskara e acha graça nas Tartarugas, mas não entende muito bem como é que elas aprenderam karatê...
Se música é algo que lhe agrada, enquanto lês, dê uma escutada.
Sou suspeito, nasci lendo gibi. Tudo que envolve esse mundo interessa. Os produtores de cinema tem se aproveitado das facilidades desse meio (de roteiros a storyboards praticamente prontos). Mas muitos são sinceros e respeitosos na homenagem. Quase todos encaram os quadrinhos como diversão descompromissada, e são (e os filmes de HQs também), mas nem todos são frugais e escapistas. Alan Moore que o diga, e esse mestre já ensinou que a nona arte não pode e nunca será emulada a contento pela sétima. Só que vale a pena tentar, vai que sai uma obra-prima como Batman O Cavaleiro das Trevas (já a obra de Moore não obteve tanto êxito nas traduções de sua obra para o cinema).
A idéia aqui é mostrar adaptações out DC e Marvel Comics, pois já tiveram e terão muitas mais por ai. Vamos nos ater a adaptações esquecidas e pouco comentadas de quadrinhos no cinema. Uma pena que nosso Cinema não tenha tradição de boas adaptações de quadrinhos. Vamos torcer para que O Dobro do Cinco realmente aconteça, seria lindo. Então, vamos lá. Larga essa revistinha, escorrega o disco na bandeja e aperta o play.
Príncipe Valente - A luta final é de uma selvageria inacreditável para um filme produzido nessa década, nice!!! O ator principal é fraquinho e quando fecha a boca e brande a espada é um poeta (e o cabelinho Beiçola, há!). O trabalho de direção é bom, competente e preste atenção a batalha no Castelo Viking. Henry Hathaway não conseguiu traduzir a elegância do traço de Hal Foster, mas criou uma ótima matinê. Para ver num Sábado a tarde, novela de cavalaria, amor cortês, Vikings parecendo ala de Escola de Samba e um Tecnicolor lindo.
Tank Girl - Puxa, uma personagem tão simpática merecia um filme a altura. Tentaram, colocaram até Malcolm McDowell e a Naomi Watts novinha e bem graçinha. Gostei muito das intervenções dos quadrinhos originais e da estupenda trilha sonora. Só que chegou na hora do enredo aí, aí meu amigo, ficou feio. Poderia ser uma deliciosa sessão da tarde, é legalzinho e só. Nesse caso eu fico mesmo e muito com os quadrinhos de Jamie Hewlett e Alan Martin que foram publicados aqui na saudosa revista Animal. E viva Jamie Hewlett e seu traço genial e divertido.
O Corvo - Esse filme é muito querido para mim, remete minha pré-adolescência. Conheci o filme antes do quadrinho, virei fã absoluto da obra de James O'Barr. O filme emula um pouco o clima do Tim Burton e adiciona heroína, Joy Division, ruas sujas, melancolia e vingança VINGANÇA. Tem ainda toda a história do ocorrido com Brandon Lee que seria um grande astro de ação numa hora dessas. Para mim o único erro na adaptação foi a inclusão de um vilão Big Boss, enquanto que nos quadrinhos a força da estória reside no fato de o grande vilão ser sempre o acaso (personificado na violência urbana desenfreada) que alija a todos que toca. Um filme Grunge-gótico clássico. E leia os quadrinhos que são muito intensos e belos.
Estrada para Perdição - Que filme lindo. Uma das minha preferidas atuações de Tom Hanks e de Jude Law. Recriação de época muito cuidadosa. A estória é simples, direta e eficaz ( e tem sim inspiração nas páginas de Lobo Solitário). O Duelo final é eletrizante, fiquei preso a cadeira do cinema. Acho a adaptação muito respeitosa aos quadrinhos originais. Para ser sincero gosto mais da versão que ocorre na tela do que a que se desenrola nas páginas. Não perca.
Solomon Kane, O Caçador de Demônios - Como errar se tinha tudo para acertar em cheio. Mandaram muito bem nos figurinos, cenografia e efeitos especiais. E no roteiro colocaram todos os clichês mais manjados de todos. Mas o que não deu para aguentar foi o herói chato não se convencer nunca a vestir a capa. Não honrou a maravilhosa obra de Robert E. Howard e suas traduções para as páginas dos quadrinhos (vamos torcer para a nova versão de Conan honre). Vale como curiosidade de fã.
As Múmias do Faraó - Um filme delicioso (só a tradução do título que ficou despropositada). Humor bem cuidado (atente para as piadas ao final do filme). Adèle, nosso Tintin de saias caiu graciosa na atuação de Louise Bourgoin. Belle Époque + dinossauros + Paris + Philippe Nahon + direção sempre cool de Luc Besson + múmias do Louvre + Louise Bourgoin tomando banho = ótimo filme. Não conhecia o gibi (qua não saiu pelas bandas brasillis e parece que nem vai rolar), agora estou muito ansioso para lê-lo. E dá-lhe Amazon.
Seria genial se Tarantino realmente dirigisse a adaptação de O Sombra para o cinema...
-E ai Vó, vai rolar bacalhau nesse Natal mesmo ou não?
-Vai, claro que vai. Você gosta do bacalhau que eu faço?