10 de janeiro de 2011

Os Trapalhões e o Cinema


Se música é algo que te agrada, enquanto lês, dê uma escutada

Eu, petrificado, ao lado do herói da minha infância


Esse post é muito pessoal, irei falar dos grandes heróis da minha infância. Infelizmente, para quem nasceu no fim da década de 80 para frente é bem provável que não tenha essa imagem forte e de grande relevância desse grupo que foi um dos, senão o maior, fenômenos do humor brasileiro. A imagem que temos atualmente nas tardes de Domingo nem se comparam com o que um dia foi Os Trapalhões.
Pense bem, em tempos de bundamolice como os atuais, quando que um grupo de humor formado por um Kid Mumu bêbado egresso das favelas, um mineirinho por assim dizer bem delicadinho, um galãzinho perifa cheio de trejeitos duvidosos e um nordestino pobretão trambiqueiro e porradeiro iriam fazer um programa voltado para toda família em horário nobre na maior emissora de TV aberta do país???
Sentiu o drama? Sem contar que as esquetes, não raro, se davam de maneira completamente anárquica e bemmmm politicamente incorreta. Boa parte das piadas que gente só acaba pescando quando ganhamos experiência e a malandragem que essa trupe tinha de sobra. Da paródia ao pastelão, da denúncia social a chanchada psicodélica eles fizeram de tudo e com uma impressionante qualidade refletida em sua monstruosa popularidade. Quando a música de abertura do programa tocava o país parava para assistir, e isso não é uma figura de linguagem. O mesmo podemos dizer de suas empreitadas na sétima arte que levaram um numero de espectadores quase igual ao de habitantes do país. Claro que o critério de seleção das fitas são aquelas em que atuam os quatro integrantes do grupo. Dá um gostinho de refri na garrafa de vidro, lembra tempos em que a criançada não era tão boca suja. 
Então Psit, senta na poltrona aperta o play e se prepara para uma tarde de domingo maravilhosa...

Os Trapalhões na Guerra dos Planetas - Não tem muito o que falar desse filme. Ele merece estar na seleção por ser tão inusitado. Falando como um fã inveterado dos Trapa tinha pouca coisa mais empolgante do que ver o Didi gritando "Porradaaa" e o pau comia. Nesse filme aqui eles exageraram pois o filme todo é só "Porradaaaa". Claro que vai no embalo de Star Wars, mas não espere ver o sabres de luz. Nonsense do começo ao fim. Trash com todas as belezas do trash. Quer assistir? Clica logo.

Os Trapalhões e o Mágico de Oróz - Olha quem não pensa como eu que me perdoe, mas esse é um dos melhores filmes sobre o tema seca e fome no nordeste brasileiro. Essa "desvirtuação" de um clássico do cinema é muito gostoso de assistir até hoje e é um das melhores atuações do quarteto. Rola homenagem até para 2001, Uma Odisséia no Espaço. Trapalhões também é cinefilia. Atenção na Xuxa de vestidinho branco molhado mostrando mais do que deveria (em um filme infantil). Se quiser assistir clica aqui.

Uma Escola Atrapalhada - Uma tentativa simpática de tornar os trapalhões em humor para adolescente. Afinal, havia pouco anos John Hughes tinha inventado e colocado esse bicho estranho, o adolescente, no centro da tela no cinema. O último filme do Zaca. E o Supla, hahaha, vamos ser sinceros ele é a grande piada  (mesmo que involuntária) do filme, muita classe. E a Angélica sem mostrar a pinta super virginal e chatinha como sempre. Atente para a presença do atual onipresente do cinema nacional Selton Mello fazendo o vilão. Clica logo para assistir.

O Casamento dos Trapalhões - Um dos meus filmes preferidos dos Trapalhões. Provavelmente é o filme com o melhor conjunto de piadas da trupe, sem contar o enredo safadinho. Um filme cheio de neon e Dominó. Que dava para fugir da pornochanchada dava sim...Clica para assistir meu filho...

A Princesa Xuxa e Os Trapalhões - Pensando que a produção cinematográfica nacional de ficção científica é abaixo de zero esse filme se sai muito bem. Para época e dados os recursos do cinema brazuca a produção artística da película é bem decente. Para uma criança é uma aventura bem empolgante (ou pelo menos era). esse filme não deixa de ser fruto das zilhares de produções de fantasia e ficção científica que brotaram no meio final da década de 80, que por sua vez foram frutos do tsunami Star Wars. Já clicou?

Os Trapalhões na Terra dos Monstros - Nossa, esse filme fez a minha infância. Acho que eu aluguei por todos os fins de semana por uns seis meses. Assisti até a fita furar. Com uma grande inspiração no Goonies e uma pitada de A História Sem Fim, mas com elementos originalíssimos de nossa cultura. Os Trapalhões vão distribuir porrada numa raça de seres abissais, salvar o dia e dar um tempo para a Angélica tocar no Programa do Gugu. Ah, os anos 80! Envelheceu sim, mas é um velhinho muito simpático. Se quiser assistir clica aqui.

Tarantino não conheceu os Trapalhões na infância, por isso virou um cineasta psicopata...

-Você não lembra Vó dos Trapalhões? Do Didi, Mussum, Zacarias, Dedé???
-Lembro, claro. Quem fazia era o Chico Anysio, ne!? 
-Não Vó. Era aquele com o negão da Mangueira que só ficava bebendo cachaça, mé...
-Ah, passava no Viva o Gordo, né!?
-...É, é esse mesmo Vó...

5 de janeiro de 2011

COCTEAU TWINS

Há de se encantar com a estranheza, senão a vida fica um tanto quanto desinteressante.

Continuando no Dream Pop, vamos a um dos pais da criança. O Cocteau, vindos de uma terra belíssima, a Escócia, começou com um pé e meio na Darkwave, mas acabou alçando vôos mais altos e acabou de braços dados com o psicodelismo, o mais delicioso dos pops e até com a Enya... Está, facilmente, entre as cinco bandas independentes mais importantes do Reino Unido na década de 80, influenciou meio mundo.

Um som outonal, queridinho de trilhas sonoras, perfeito na criação de ambientes sonoros com o uso muito original e único de reverbs e delays e sons sintéticos.

Onirismo colorido e melancolia cool.

Eles são tão legais, tão legais que fazem cover de Tim Buckley. Vamos a eles.


Começando na fase mais gótica Pearly Drewdrops Drops



Essa é a minha preferida Bluebeard



E fechando com a linda Iceblink Luck

24 de dezembro de 2010

Os Melhores de 2010


Se música é algo que lhe agrada, enquanto lês, dê uma escutada.


Final de ano é hora de revisão. Eu tenho por costume escolher os filmes que tiveram a capacidade de adentrar por minhas retinas e se instalarem como vírus no meu lobo temporal. Na verdade um filme que tem essa capacidade deveria ganhar um troféu. Por isso vou premiar os melhores filmes que saíram nessas bandas brasilis e que eu tive o privilégio de ver esse ano. E também, vamos premiar a melhor trinca de filmes que vi, mas que não foram lançados esse ano, os ditos clássicos. Para tanto, vamos homenagear dois baluartes da crítica brasileira. Põem a pipoca no microondas e gelo na Coca e escorrega para cá.




Troféu Isabela Boscov

Isabela Boscov é a musa desse blog. Tem o close mais bonito da crítica cinematográfica brasileira. Com um português de Bilac, escreve com belas e prolixas palavras. Ela gosta de filmes de zumbi. Ela gosta de cinema sul-coreano. Ela pesquisa o contexto histórico das obras que critica. Já entrevistou Steven Spilberg e Francis Ford Coppola. Ela merece nomear o prêmio para os melhores filmes desse ano, mesmo que não endosse nenhum de minha seleção.

 O Guerreiro Silencioso – Apesar de idolatrar diálogos inteligentes e verossímeis poucas coisas me agradam mais que filmes que não prescindem de falas para se fazerem entendidos. E sejamos sinceros, em se tratando de violência quanto menos palavras ou explicações mais elucidação e perturbação teremos ao observá-la. E como diria o menestrel Russo: “A violência é tão fascinante e nossas vidas são tão normais”. A vida desse guerreiro caolho se dá em todos os aspectos pela e para brutalidade. E se o guerreiro caolho não tivesse domínio de sua brutalidade sua mísera existência seria encurtada. Sinceramente, não interessa o apuro histórico se Picto, Viking, Cherokee, em qual continente em qual século etc. O apuro histórico esta em mostrar que a vida em eras passadas, quando não havia intermediação das relações ou regulação delas, estava nas mãos de homens brutos, e o sangue escorria. Enfim, é o apocalipse do homem pré-civilizado (é?). A Valhalla de uma Era que vai dar lugar a técnica, a um novo continente para ser pilhado, a um novíssimo sistema econômico, um novo e único deus. Os enquadramentos abertos, o clima de estranheza e perturbação ininterrupta, simbolismos cristãos e o niilismo que tanto preso. Adorei.

 O Profeta – O Conde de Monte Cristo do século XXI. A prisão é o purgo que fará Malik jóia rara. Há momentos que o filme alcança o sublime (como, no terceiro ato, no trabalho sujo realizado por Malik em Paris).  Sem falar nos personagens secundários absolutamente bem desenvolvidos e até fascinantes. Se falarmos de sistema, alguns têm o poder de trupicar nele e aos trancos e barrancos acabam por dominá-lo. Sim, Malik morre de medo, mas a tremedeira das mãos perde toda vez que lhe passa pela cabeça que esse pode ser seu último dia de vida. Logo na primeira cena você é capturado e encarcerado e só é solto na última, mesmo querendo ficar mais. E que cena final, triunfante.

 A Estrada – Sabe, o que ocorre com esse pai e esse menino está dia a dia em nossas ruas. Para um monte de gente ai fora o mundo já acabou e nem um revólver com duas bals eles tem. Canibais!? Temos aos montes, prontos para nos trucidar. A adaptação de John Hillcoat é simplesmente perfeita em caracterização e só perde em impacto para o livro por limitar (sabiamente) a narrativa para uma hora e meia. A urgência, crueza e absoluta genialidade, de Cormac  MacCarthy, em captar metaforicamente o nosso cinza e miserável mundo contemporâneo  é imprescindível a todos.
PS: Viggo Mortensen é ótimo sempre, mas tem essa mania irritante de aparecer pelado em todo filme que faz...Bem, as meninas gostam...

 Tropa de Elite 2, O Inimigo Agora é Outro – O filme-evento de José Padilha já garantiu seu lugar na História com êxitos máximos em todos os aspectos técnicos de produção e enredo e de reconhecimento acachapante de público.  Sou fã absoluto desse filme (e do primeiro) que vem em boa hora (mesmo que um pouco atrasado) focar de maneira inteligente a situação atual de nossa violência urbana. Um belo puxão de orelhas a quem não percebeu a situação que alguns já sabiam há tempos. E não podemos deixar de falar de Irandhir Santose sua atuação excelente. E não confunda, não é a realidade, a vida real é muito mais cheia de som e fúria. O tiro virá para todos, sem fazer distinção ideológica. E nem vem, ninguém é herói, mas o inimigo é facilmente identificável: geralmente branco, de meia idade, feio e você o escolheu com alguns dígitos em Outubro para receber um salário vergonhosamente alto...Parabéns!!! Filme incrível pela coragem em dar contornos psicológicos a uma figura que foi chapada sucessivamente na filmografia brasileira, a do vigia e protetor do Estado. Sim, esse vigia vai perceber que o Estado não está nem ai para sua guarda.

Troféu Rubens Ewald Filho


É a mais clássica figura da crítica cinematográfica em nosso país. O homem do Oscar. Ele não gosta de sofrer ao ver filmes. É uma enciclopédia, sabe o nome do cachorro do faxineiro dos estúdios da MGM durante a gravação do Mágico de ÓZ. Ele vai em todas as estréias da Broadway. Já foi homenageado pelo Hermes e Renato (vamos ser sinceros, tem de ser muito legal para virar personagem do Hermes e Renato). Nada mais justo do que ele nomear o troféu que premia os filmes clássicos redescobertos pelos nossos olhos nesse ano. Vamos a eles.

Parceiros da Noite – E se um videoclipe do Village People virasse um pesadelo daqueles? Pois é, nesse filme sombrio e excelente um estripador está à solta no mundo do couro, chicote e barbas cerradas de Nova York. Na era pré-AIDS, quando Nova York era um lixão pior que a nossa Cracolândia e o sonho de 68 tinha sido cheirado em várias carreiras, Al Pacino ainda era o maioral e no papel do detetive Steve Burns irá se deparar com uma definição muito mais incomoda do que seja o submundo. A influencia do filme é vista até hoje, chama o Gaspar Noé que ele te mostra. Com cenas muito muito ousadas para o cinema mainstream da época (hoje um moleque de 11 anos já viu coisa bem pior) o clima de tensão é permanente e a sensação de que Steve Burns não vai agüentar sua descida ao inferno é latente.

A Conversação – Podem falar de Poderoso Chefão e Apocalipse Now (mimimi), mas esse é o melhor filme do senhor Coppola (na opinião desse que vos fala). A inspiração veio sem dúvida de Antonioni e Hitchcock, mas o resultado é tão redondo que ultrapassa  e muito a inspiração e cria algo novo e surpreendente. A cena da praça é uma obra de arte por si só, uma faculdade e pós-graduação inteira de audiovisual. Domínio narrativo absoluto. Feito na década mais inventiva, intença e inevitável do cinema estadunidense o Poderoso Coppola gestou uma perola do cinema. Harry Caul está numa solidão tão profunda (atente a poética cena final) provocada por pecados de seu passado que quando aparece uma chance de redenção para sua vida irá nublar sua visão, quer dizer audição.

Dias de Paraíso – Não há nenhum diretor, nenhum que consiga filmar a natureza de maneira tão exuberante e acolhedora como Terrence Malick. E todos seus personagens se sentem admirados e acolhidos por Ela. Seus personagens sempre se deparam com o retorno ao mundo natural e percebem que a vida estritamente urbana resseca e quebra. Um filme meditativo, uma obra prima de delicadeza, uma elegia a Gaia. Em lindos tons pastéis e dourados, iremos acompanhar, através dos olhos de uma menina, perdendo a inocência, a dissolução de sua família, mas sem melodramas exagerados. Malick foca suas lentes em toda sua filmografia nos homens comuns e pouco notados que construíram e deram suas vidas para defender seu país e que não constam dos livros de História. Simplicidade narrativa para reforçar a beleza da tela, até alegorias de pragas bíblicas para representar a tragédia.



Tarantino está de férias em praias Tailandesas.  Muitas massagens, muitas...

Minha Avó tá preparando o bacalhau e grão de bico para as festas. E deseja que todos estejem longe do pecado em 2011.

22 de dezembro de 2010

THE SUNDAYS

É, esse som o Tarantino não escutaria...Dane-se.




O som dessa banda é a trilha sonora para um sonho bom, para uma  tarde perfeita, para um saudosismo que te faz sorrir, para um piquenique com as pessoas que você mais gosta no mundo. "Roqueiro" demais para um Cocteau Twins e etéreo demais para um The Smiths, o vocal celestial de Harriet Wheeler e a guitarra Marrziana de David Gavurin fazem aquilo que adormece dentro de nós acordar sorrindo. Os sons cheios de brilho do The Sundays irá refletir de The Cranberries até Pato Fú. Lindo, lindo, lindo!!!

Um dia vamos adentrar mais profundamente no Dream Pop ou no Ethereal Pop. Mas por enquanto vamos de The Sundays para polir a vida nesse fim de ano.

Para começar o verão Summertime


Agora o hit Here's Where the Story Ends


E o biscoito fino Joy

17 de dezembro de 2010

Filmes e Gibis e vice-versa Parte I


Se música é algo que lhe agrada, enquanto lês, dê uma escutada.


Sou suspeito, nasci lendo gibi. Tudo que envolve esse mundo interessa. Os produtores de cinema tem se aproveitado das facilidades desse meio (de roteiros a storyboards praticamente prontos). Mas muitos são sinceros e respeitosos na homenagem. Quase todos encaram os quadrinhos como diversão descompromissada, e são (e os filmes de HQs também), mas nem todos são frugais e escapistas. Alan Moore que o diga, e esse mestre já ensinou que a nona arte não pode e nunca será emulada a contento pela sétima. Só que vale a pena tentar, vai que sai uma obra-prima como Batman O Cavaleiro das Trevas (já a obra de Moore não obteve tanto êxito nas traduções de sua obra para o cinema). 

A idéia aqui é mostrar adaptações out DC e Marvel Comics, pois já tiveram e terão muitas mais por ai. Vamos nos ater a adaptações esquecidas e pouco comentadas de quadrinhos no cinema. Uma pena que nosso Cinema não tenha tradição de boas adaptações de quadrinhos. Vamos torcer para que O Dobro do Cinco realmente aconteça, seria lindo. Então, vamos lá. Larga essa revistinha, escorrega o disco na bandeja e aperta o play.

Príncipe Valente - A luta final é de uma selvageria inacreditável para um filme produzido nessa década, nice!!! O ator principal é fraquinho e quando fecha a boca e brande a espada é um poeta (e o cabelinho Beiçola, há!). O trabalho de direção é bom, competente e preste atenção a batalha no Castelo Viking. Henry Hathaway não conseguiu traduzir a elegância do traço de Hal Foster, mas criou uma ótima matinê. Para ver num Sábado a tarde, novela de cavalaria, amor cortês, Vikings parecendo ala de Escola de Samba e um Tecnicolor lindo.

Tank Girl - Puxa, uma personagem tão simpática merecia um filme a altura. Tentaram, colocaram até Malcolm McDowell e a Naomi Watts novinha e bem graçinha. Gostei muito das intervenções dos quadrinhos originais e da estupenda trilha sonora. Só que chegou na hora do enredo aí, aí meu amigo, ficou feio. Poderia ser uma deliciosa sessão da tarde, é legalzinho e só. Nesse caso eu fico mesmo e muito com os quadrinhos de Jamie Hewlett e Alan Martin que foram publicados aqui na saudosa revista Animal. E viva Jamie Hewlett e seu traço genial e divertido.

O Corvo - Esse filme é muito querido para mim, remete minha pré-adolescência. Conheci o filme antes do quadrinho, virei fã absoluto da obra de James O'Barr. O filme emula um pouco o clima do Tim Burton e adiciona heroína, Joy Division, ruas sujas, melancolia e vingança VINGANÇA. Tem ainda toda a história do ocorrido com Brandon Lee que seria um grande astro de ação numa hora dessas. Para mim o único erro na adaptação foi a inclusão de um vilão Big Boss, enquanto que nos quadrinhos a força da estória reside no fato de o grande vilão ser sempre o acaso (personificado na violência urbana desenfreada) que alija a todos que toca. Um filme Grunge-gótico clássico. E leia os quadrinhos que são muito intensos e belos.

Estrada para Perdição - Que filme lindo. Uma das minha preferidas atuações de Tom Hanks e de Jude Law. Recriação de época muito cuidadosa. A estória é simples, direta e eficaz ( e tem sim inspiração nas páginas de Lobo Solitário). O Duelo final é eletrizante, fiquei preso a cadeira do cinema. Acho a adaptação muito respeitosa aos quadrinhos originais. Para ser sincero gosto mais da versão que ocorre na tela do que a que se desenrola nas páginas. Não perca. 

Solomon Kane, O Caçador de Demônios - Como errar se tinha tudo para acertar em cheio. Mandaram muito bem nos figurinos, cenografia e efeitos especiais. E no roteiro colocaram todos os clichês mais manjados de todos. Mas o que não deu para aguentar foi o herói chato não se convencer nunca a vestir a capa. Não honrou a maravilhosa obra de Robert E. Howard e suas traduções para as páginas dos quadrinhos (vamos torcer para a nova versão de Conan honre). Vale como curiosidade de fã. 

As Múmias do Faraó -  Um filme delicioso (só a tradução do título que ficou despropositada). Humor bem cuidado (atente para as piadas ao final do filme). Adèle, nosso Tintin de saias caiu graciosa na atuação de Louise Bourgoin. Belle Époque + dinossauros + Paris + Philippe Nahon + direção sempre cool de Luc Besson + múmias do Louvre + Louise Bourgoin tomando banho = ótimo filme. Não conhecia o gibi (qua não saiu pelas bandas brasillis e parece que nem vai rolar), agora estou muito ansioso para lê-lo. E dá-lhe Amazon.


Seria genial se Tarantino realmente dirigisse a adaptação de O Sombra para o cinema...

-E ai Vó, vai rolar bacalhau nesse Natal mesmo ou não?
-Vai, claro que vai. Você gosta do bacalhau que eu faço?
-Opa, adoro. Sensacional...
-Se é assim, sim!

15 de dezembro de 2010

O LENDÁRIO CHUCROBILLYMAN

Esse cara cobra o escanteio, corre para cabecear e vai comemorar. Um som sensacional que sabe fazer a alquimia exata entre um som raiz estadunidense e um som com um pé na caipirice brasileira. Esse cara é herói. E ainda faz dançar e balançar a cachola. Ótimo. Encarna a galinha que tem dentro de você e dá o play no som.

Primeiro o clip lindão de Chicken Flow


Agora para ver o cara em ação ao vivo com a galera participando Long Way From Home


Agora em portuga, para você abrir o sorrisão,  Hey garota, vamos sair por ai!?

10 de dezembro de 2010

Como começou?


Se música é algo que te agrada, enquanto lês, dá uma escutada.


Toda arte tem seus baluartes. Gente que muda os rumos de seu fazer artístico ou simplesmente alia as técnicas já disseminada na arte e rearranjam de forma tão harmônica que acabam por criar clássicos. Alguns deles tem muito sucesso em vida, são reverenciados e expostos como sendo grande coisa, outros deles tem de passar pelo filtro da morte para se imortalizarem como artistas imprescindíveis. De qualquer maneira o caminho desses gigantes começa no primeiro passo. Nessa seleção de seis grandes diretores iremos analisar seus primeiros longa metragem e o que já se configurava como um possível estilo manifestado. E nada de ficar falando de biografias ou fofoquinhas, o que interessa aqui é a primeira ousadia.  Os escolhidos são nessa ordem: Pedro Almodovar; Christopher Nolan; Darren Aronofsky; David Fincher; os Irmãos Coen e e e Quentin Tarantino...
Mais do que pensar nos altos e baixos da carreira o que nos interessa é tentar decodificar um DNA para suas obras (se é que isso exista) e assim ficar mais perto de suas preferências estéticas e metodos de trabalho. Os caras são bons, muito bem estabelecidos no mercado e na crítica e é bem possível que você já tenha visto algum filme deles. Vamos ver onde a história começou....    

Pedro Almodovar, como começou?

Pepi, Luci e Bom e outras garotas de montão - Um coração amante de todos. Almodovar foi perdendo em transgressão e foi ganhando em classe e glamour com o passar de seus filmes. Aqui, na Madrid do começo dos 80, ele escancara, com muita farra e despudor todas as possibilidades de sexualidades de sua terra. Sempre colorido (aqui com uma cenografia mais pobre por motivos óbvios) e surtado os corações de suas mulheres seguem todos os caminhos que descortinam. Seu cinema é um barraco de casal no meio da rua, é baixo Augusta, é absurdamente engraçado, é um tapa na cara (no sentido novela da expressão), sangra como em letras do flamenco. Os jovens espanhóis tomaram as ruas com liberdade total depois de anos de chumbo.

No que deu: A Flor do meu Segredo - De Salto Alto - Tudo sobre minha Mãe - Fale com Ela.


Christopher Nolan, como começou?

Following - Estréia em p&b e já deixa os rastros temáticos de toda sua obra: o engenho e a obceção. Até Cobb e Batman estão nesse filme. Quase todos seus personagens tem planos que se elaboram sob ou sobre os planos de seus antagonistas. Sempre um personagem está um passo a frente de outro e de outro. Nessa estória nas entranhas da cidade um escritor entediado que segue a vida aleatoriamente vai aprender que estar preparado é tudo no mundo de Nolan. A admiração que esse diretor tem por Stanley Kubrick se demonstra em sua estréia homenageando os filmes menores e de estréia de Kubrick.

No que deu: Amnésia - Grande Truque - Batman, o Cavaleiro das Trevas - A Origem.


Darren Aronofsky, como começou?

PI - Uma estréia com muita pretensão. A espiral da loucura filmada em p&b bem granulado. A  Cabala, a matemática explicando todos os padrões da vida, máfia judaica ortodoxa e o sentido do π. A influência que Kafka exerce sobre esse conto novaiorquino é óbvia. Já aqui Aronofsky expõe a característica da descida profunda em espiral (ou em elevação como no caso de A Fonte da Vida) que submete todos seus personagens. Sua câmera parece querer sempre entrar pelas narinas até chegar ao fundo dos pensamentos de quem estampa a tela. Pitágoras, músicas eletrônica, o mercado de ações, Lexotan, epilepsia e um matemático ranzinza. Pena, o ator principal não segura a peteca e da suas vaciladas. A influência de Taxi Driver é latente. 

No que deu: Réquiem para um sonho - A Fonte da Vida - O Lutador - Cisne Negro.


David Fincher, como começou? 

Alien 3 - Falou-se muito mal, mas o filme merece uma segunda visão. A sensacional franquia Alien (que nos dois primeiros capítulos estiveram sobre a batuta de dois diretores monstruosos: Ridley Scott e James Cameron) tem uma identidade visual muito marcada totalmente industrial e sem qualquer elemento de natureza. David Fincher respeita essas características e aplica um apuro cenográfico sem igual e já explicita sua direção clássica de horizontalidade bem aberta, closes fechando em momentos necessários (a cena do alien quase beijando a Ripley é a mais lembrada por todos mundo quando falamos de Alien), e a apurada utilização de computação gráfica. O final é extremamente climático e teria sido um final glorioso para tenente Ripley...não fosse o Alien 4.

No que deu: Seven, os sete pecados capitais - Clube da Luta - Zodíaco - A Rede Social


Os Irmãos Coen, como começaram? 

Sede de Sangue - Em sua primeira incursão em longa metragem os Irmãos Coen não usaram de suas melhores características: a ironia, o humor negro e involuntário; e resolveram ser mais sérios. Nesse Noir intenso e cheio de palavras não ditas eles usam de outra de suas características: os planos que pareciam muito bons e que se quebram em vários pedaços até acabar da pior maneira. Aqui também não abrem mão de personagens desprovidos de beleza e tipicamente interioranos e da violência seca sem retoques. Os Irmãos Coen, mesmo tendo sempre carinho por seus personagens, orientam seus roteiros sob o signo do caos. O que nos aproxima de seu universo afinal, vivemos todos sob o signo do caos.

No que deu: todos todos os que eles fizeram são essenciais (tirando Arizona Nunca Mais).


Quentin Tarantino, como começou?

Cães de Aluguel - A grand premiere de nosso patrono. A saturação sensorial subindo no pódio como grande arte. Tarantino fragmentou diversos aspectos da cultura pop e os recombinou para o mais cool exercício de diversão e do estilo. Sua pós-modernidade bombada deixando pelo chão convicções ideológicas nos faz apelar ao instinto e não ao raciocínio por mais fragmentados e que sejam seus roteiros. Nesse filme de "gênero" "roubo" iremos nos deparar com uma estória cada vez mais claustrofóbica; com a Madonna e suas preferências sexuais; com bandidões sagazes e azarados de L.A.; com Michael Madsen psico total; uma trilha sonora brilhante e a certeza de que foi um filme fudido (ops...). 

No que deu: Pulp Fiction - Kill Bill vol. 1 e 2 - A Prova de Morte - Bastardos Inglórios.


Quentin Tarantino se orgulha muito de tudo o que fez...

-Preciso por minhas pernas pra cima. Tá tuda inchada...
-Ficou muito tempo de pé Vó?
-É, demora pra lavar as calças do seu Vô...
-Tá certo Vó, vai descansar.