24 de dezembro de 2010

Os Melhores de 2010


Se música é algo que lhe agrada, enquanto lês, dê uma escutada.


Final de ano é hora de revisão. Eu tenho por costume escolher os filmes que tiveram a capacidade de adentrar por minhas retinas e se instalarem como vírus no meu lobo temporal. Na verdade um filme que tem essa capacidade deveria ganhar um troféu. Por isso vou premiar os melhores filmes que saíram nessas bandas brasilis e que eu tive o privilégio de ver esse ano. E também, vamos premiar a melhor trinca de filmes que vi, mas que não foram lançados esse ano, os ditos clássicos. Para tanto, vamos homenagear dois baluartes da crítica brasileira. Põem a pipoca no microondas e gelo na Coca e escorrega para cá.




Troféu Isabela Boscov

Isabela Boscov é a musa desse blog. Tem o close mais bonito da crítica cinematográfica brasileira. Com um português de Bilac, escreve com belas e prolixas palavras. Ela gosta de filmes de zumbi. Ela gosta de cinema sul-coreano. Ela pesquisa o contexto histórico das obras que critica. Já entrevistou Steven Spilberg e Francis Ford Coppola. Ela merece nomear o prêmio para os melhores filmes desse ano, mesmo que não endosse nenhum de minha seleção.

 O Guerreiro Silencioso – Apesar de idolatrar diálogos inteligentes e verossímeis poucas coisas me agradam mais que filmes que não prescindem de falas para se fazerem entendidos. E sejamos sinceros, em se tratando de violência quanto menos palavras ou explicações mais elucidação e perturbação teremos ao observá-la. E como diria o menestrel Russo: “A violência é tão fascinante e nossas vidas são tão normais”. A vida desse guerreiro caolho se dá em todos os aspectos pela e para brutalidade. E se o guerreiro caolho não tivesse domínio de sua brutalidade sua mísera existência seria encurtada. Sinceramente, não interessa o apuro histórico se Picto, Viking, Cherokee, em qual continente em qual século etc. O apuro histórico esta em mostrar que a vida em eras passadas, quando não havia intermediação das relações ou regulação delas, estava nas mãos de homens brutos, e o sangue escorria. Enfim, é o apocalipse do homem pré-civilizado (é?). A Valhalla de uma Era que vai dar lugar a técnica, a um novo continente para ser pilhado, a um novíssimo sistema econômico, um novo e único deus. Os enquadramentos abertos, o clima de estranheza e perturbação ininterrupta, simbolismos cristãos e o niilismo que tanto preso. Adorei.

 O Profeta – O Conde de Monte Cristo do século XXI. A prisão é o purgo que fará Malik jóia rara. Há momentos que o filme alcança o sublime (como, no terceiro ato, no trabalho sujo realizado por Malik em Paris).  Sem falar nos personagens secundários absolutamente bem desenvolvidos e até fascinantes. Se falarmos de sistema, alguns têm o poder de trupicar nele e aos trancos e barrancos acabam por dominá-lo. Sim, Malik morre de medo, mas a tremedeira das mãos perde toda vez que lhe passa pela cabeça que esse pode ser seu último dia de vida. Logo na primeira cena você é capturado e encarcerado e só é solto na última, mesmo querendo ficar mais. E que cena final, triunfante.

 A Estrada – Sabe, o que ocorre com esse pai e esse menino está dia a dia em nossas ruas. Para um monte de gente ai fora o mundo já acabou e nem um revólver com duas bals eles tem. Canibais!? Temos aos montes, prontos para nos trucidar. A adaptação de John Hillcoat é simplesmente perfeita em caracterização e só perde em impacto para o livro por limitar (sabiamente) a narrativa para uma hora e meia. A urgência, crueza e absoluta genialidade, de Cormac  MacCarthy, em captar metaforicamente o nosso cinza e miserável mundo contemporâneo  é imprescindível a todos.
PS: Viggo Mortensen é ótimo sempre, mas tem essa mania irritante de aparecer pelado em todo filme que faz...Bem, as meninas gostam...

 Tropa de Elite 2, O Inimigo Agora é Outro – O filme-evento de José Padilha já garantiu seu lugar na História com êxitos máximos em todos os aspectos técnicos de produção e enredo e de reconhecimento acachapante de público.  Sou fã absoluto desse filme (e do primeiro) que vem em boa hora (mesmo que um pouco atrasado) focar de maneira inteligente a situação atual de nossa violência urbana. Um belo puxão de orelhas a quem não percebeu a situação que alguns já sabiam há tempos. E não podemos deixar de falar de Irandhir Santose sua atuação excelente. E não confunda, não é a realidade, a vida real é muito mais cheia de som e fúria. O tiro virá para todos, sem fazer distinção ideológica. E nem vem, ninguém é herói, mas o inimigo é facilmente identificável: geralmente branco, de meia idade, feio e você o escolheu com alguns dígitos em Outubro para receber um salário vergonhosamente alto...Parabéns!!! Filme incrível pela coragem em dar contornos psicológicos a uma figura que foi chapada sucessivamente na filmografia brasileira, a do vigia e protetor do Estado. Sim, esse vigia vai perceber que o Estado não está nem ai para sua guarda.

Troféu Rubens Ewald Filho


É a mais clássica figura da crítica cinematográfica em nosso país. O homem do Oscar. Ele não gosta de sofrer ao ver filmes. É uma enciclopédia, sabe o nome do cachorro do faxineiro dos estúdios da MGM durante a gravação do Mágico de ÓZ. Ele vai em todas as estréias da Broadway. Já foi homenageado pelo Hermes e Renato (vamos ser sinceros, tem de ser muito legal para virar personagem do Hermes e Renato). Nada mais justo do que ele nomear o troféu que premia os filmes clássicos redescobertos pelos nossos olhos nesse ano. Vamos a eles.

Parceiros da Noite – E se um videoclipe do Village People virasse um pesadelo daqueles? Pois é, nesse filme sombrio e excelente um estripador está à solta no mundo do couro, chicote e barbas cerradas de Nova York. Na era pré-AIDS, quando Nova York era um lixão pior que a nossa Cracolândia e o sonho de 68 tinha sido cheirado em várias carreiras, Al Pacino ainda era o maioral e no papel do detetive Steve Burns irá se deparar com uma definição muito mais incomoda do que seja o submundo. A influencia do filme é vista até hoje, chama o Gaspar Noé que ele te mostra. Com cenas muito muito ousadas para o cinema mainstream da época (hoje um moleque de 11 anos já viu coisa bem pior) o clima de tensão é permanente e a sensação de que Steve Burns não vai agüentar sua descida ao inferno é latente.

A Conversação – Podem falar de Poderoso Chefão e Apocalipse Now (mimimi), mas esse é o melhor filme do senhor Coppola (na opinião desse que vos fala). A inspiração veio sem dúvida de Antonioni e Hitchcock, mas o resultado é tão redondo que ultrapassa  e muito a inspiração e cria algo novo e surpreendente. A cena da praça é uma obra de arte por si só, uma faculdade e pós-graduação inteira de audiovisual. Domínio narrativo absoluto. Feito na década mais inventiva, intença e inevitável do cinema estadunidense o Poderoso Coppola gestou uma perola do cinema. Harry Caul está numa solidão tão profunda (atente a poética cena final) provocada por pecados de seu passado que quando aparece uma chance de redenção para sua vida irá nublar sua visão, quer dizer audição.

Dias de Paraíso – Não há nenhum diretor, nenhum que consiga filmar a natureza de maneira tão exuberante e acolhedora como Terrence Malick. E todos seus personagens se sentem admirados e acolhidos por Ela. Seus personagens sempre se deparam com o retorno ao mundo natural e percebem que a vida estritamente urbana resseca e quebra. Um filme meditativo, uma obra prima de delicadeza, uma elegia a Gaia. Em lindos tons pastéis e dourados, iremos acompanhar, através dos olhos de uma menina, perdendo a inocência, a dissolução de sua família, mas sem melodramas exagerados. Malick foca suas lentes em toda sua filmografia nos homens comuns e pouco notados que construíram e deram suas vidas para defender seu país e que não constam dos livros de História. Simplicidade narrativa para reforçar a beleza da tela, até alegorias de pragas bíblicas para representar a tragédia.



Tarantino está de férias em praias Tailandesas.  Muitas massagens, muitas...

Minha Avó tá preparando o bacalhau e grão de bico para as festas. E deseja que todos estejem longe do pecado em 2011.

10 comentários:

  1. Pessoalmente não gostei de Valhalla Rising, o filme em si éra +- meio complicado de se entender o final que estragou

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  2. Pow, tah de brincadeira né colocando tropa de elite

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  5. desculpa, mas o guerreiro silencioso acho que nem de 2010 é e eu achei uma verdadeira merda

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. Valhala Rising começa bem legal, com lutas selvagens e bastante sangue, depois o filme simplesmente morre. Decepcionante.

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  8. Valhalla Rising é mais um trabalho de fotografia que um filme.

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  9. talve eu não tenha gostado de valhalla rising por não ter entendido porra nenhuma do filme, mas vem cá, alguém entendeu?

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  10. Gostei do post amigo foi um excelente trabalho continue assim, te convido a passar no caixadepandora.net para prestigiar nosso trabalho também

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