30 de maio de 2012

CAT POWER - YOU ARE FREE

Chan alcança algo que chamam sucesso. Um sucesso higiênico que não suja sua obra alijando seu estilo e criatividade por demandas da massa.
De ultra-tímida cantora voz-violão ela adentra a década dos 2000's como ícone fashion. Suavidade é a palavra para definir este álbum. Sim, está lá a melancolia que estamos acostumados, mas há um quê de esperança. Você está livre!
E a Cat Power continua linda.

Não se culpe, Cat. Um ao vivo com I Don't Blame You


A minha preferida do disco a quase pop e estranha He War


E fechemos com Werewolf

18 de maio de 2012

Superman dos Estúdios Fleischer

Superman by R.E.M. on Grooveshark

Bem, vamos falar de Arte com a maiúsculo. Do tipo que quando você esbarra o olhar sua vontade fica a mercê dos caprichos planejados pelo artista. Uma peça artística tão vivaz e eloquente e bela que te provoca saudades de tempos que não vivemos. E digo mais: falaremos de uma obra que proporciona uma experiência de apreciação estética e nostálgica com intensidade capaz de te levar a memórias de infância adormecidas pela letargia da rotina da vida adulta. Vamos falar de uma animação que trata do salvador, do protetor, do bem encarnado...do Superman.
Os estúdios Fleischer alcançaram com essa série animada - e entendam que eu não exagero em nada com essa colocação - a definitiva e até hoje insuperável tradução do mundo dos super heróis dos quadrinhos para outra "mídia". Ainda que mentes contemporâneas possam reclamar da estrutura engessada dos capítulos - A Srta. Lois Lane se mete na encrenca com um bandidão e o Super aparece para salvá-la e salvar o dia -, não há como negar a tremenda ousadia em apresentar aos infantes da época (e tenho certeza que surtiria o mesmo efeito na molecada de hoje) mafiosos assassinos, desastres naturais horríveis, o Hitler, cenários muito sombrios, Godzillas e um homem de vontade invencível e coragem necessária indo contra tudo isso. 
Capítulos como The Mechanical Monsters, Billion Dollar Limited e The Bulleteers enchem nosso peito do mais puro e claro heroísmo. Já capítulos como Japateurs, Eleventh Hour (neste Superman funciona no lugar das bombas atômicas que atingiram o Japão) e Jungle Drum nos entristecem pelo uso patriotesco e xenófobo dado a um símbolo tão forte quanto o Superman. Talvez até nisso a série bem suceda, mesmo que involuntariamente: mostrar o lado fascista e preconceituoso daqueles que inventam e desenvolvem os super heróis. 
Falar da arte é covardia, com um traço limpo, cores reluzentes, cenários de tirar o fôlego, é uma tradução exata dos atos do homem de aço que inegavelmente te faz querer ver deuses cruzando o céu. 
Essa é a chave, a tradução artística dos estúdio Fleischer imprime com beleza estonteante a luta de um deus andando entre mortais e enfrentando desafios a altura. 
Não vamos deixar de mencionar as influências que essa obra produziu através dos anos e se esparramaram principalmente pelos trabalhos de Bruce Timm e Richard Donner. 
A série dos estúdios Fleischer é uma semente esperando um campo fértil (o coração ou a consciência) de quem assisti-la para germinar as mais variadas formas de heroísmo. 
No cinema pode até ser diferente, mas nas animações a DC chuta a bunda da Marvel desde sempre.
Olha lá no céu! É um pássaro!? É um avião!?...

Esse post é uma homenagem para todos os fãs do azulão...para uma em especial.

16 de maio de 2012

CAT POWER - THE COVERS RECORD

Bem no começo do novo milênio nossa musa resolve lançar um álbum dando sua versão para músicas conhecidas e outras nem tanto. Só mesmo alguém com uma interpretação tão forte e característica teria o poder de dobrar canções ao ponto de fazer com que covers pareçam músicas de sua composição.
A melancolia vem em toneladas no mergulho de Cat Power à obra de seus ídolos e inspiradores. Ela já está imersa em álcool e drogas, perdida em substâncias, acumulando medos, a música de outros pode ser uma tentativa de salvação. Aqui ouvimos mais o som do piano que será marcante em seus próximos trabalhos.
A essa altura já há um considerável e fiel séquito. A vida normal de Chan é irrecuperável, ela terá de aprender a viver.


Vamos começar com a belissíma Wild is the Wind


Agora nos enchendo de amor em Sea of Love


Vamos tentar achar a razão com a cortante I Found a Reason

30 de abril de 2012

Espionando

Spy by Cowboy Bebop on Grooveshark
Há homens feitos de sombras, homens invisíveis a olho nu. Tais homens não são ou o são conforme as ordens que recebem impelindo-os a ser. Esses seres lutam sempre e incessantemente pois mesmo que os exércitos já tenham se retirado a batalha prossegue, só que menos barulhenta. Espiões caminham sobre uma fina camada de gelo prestes a arrebentar e matá-los no frio. A longevidade é raramente alcançada.
O que um bom filme de espionagem deve ter? Respondo: ação se desenrolando em várias partes do globo terrestre; deve-se ter a sensação de sempre haver alguém escondido sob um disfarce; caçada constante - barulhenta ou silenciosa - ao elemento traidor; deve-se haver desconforto por se saber que qualquer personagem é descartável. Custe o que custar o traidor deve ser eliminado, mesmo que o caçador tenha de ser eliminado para que se mantenha o status quo. 
Por que raios alguém iria escolher uma vida dessas? A espionagem, no fim das contas, sempre leva a um destino trágico de quem a prática. Penso que a possibilidade de fingir, de ser alguém novo conforme a necessidade seja algo muio atrativo. Além disso possuir informações que ninguém tem, ver o mundo fora da caverna, deve ser algo que enreda como teia de aranha.
Espiem a nossa seleção de filmes sobre o mundo da araponga.



O Espião que Sabia Demais - E você imaginando que a Guerra Fria foi aquela putaria com mulheres e martínis, tudo isso a serviço da rainha. Le Carré nos ensina que as batalhas se davam em escritórios com golpes de caneta, fofocas e relatórios detalhados. O que diferencia um agente do serviço secreto inglês de um tabelião? A eliminação de um e a exoneração de outro. Muito longe do glamour e bem mais próximos da burocracia os espiões se esgueiram por repartições e não em cenários exóticos e vistosos. Tomas Alfredson nos entrega um filme muito denso, por resumir em um par de horas material para muitas horas mais. O ar vai ficando rarefeito conforme Smiley vai aprofundado suas investigações e todos os tiros que forem disparados na exibição da película serão precisos e secos. Fica com uma amostra. 

O Quarto Protocolo - Pura elegância ou pura fleuma. Acho engraçado e sintomático à época de feitura do filme o fato do personagem de Pierce Brosnan, além de soviético, ter de ser um psicopata. Enquanto o personagem do Michael Caine tem de servir a rainha e ser um ótimo e bem humorado pai de família. Tanto John Preston quanto Valeri Petrofsky tem de enfrentar guerras internas em suas facções, além de uns skinheads e vizinhos enxeridos de vez em quando. Um thriller de espionagem muito bem construído. Quer assistir esse belo filme? Clica aqui. 

Cinco Dedos - Ulysses Diello, soberbamente interpretado por James Mason, é um trabalhador modelo: pontual, esforçado e acima de qualquer suspeita. Porém, Ulysses já cansou da vida abnegada de serviçal e quer curtir uma bela de um aposentadoria de frente ao calçadão vendo a garota de Ipanema passar. Ele quer que o velho continente se exploda e não tem escrúpulos de negociar com genocidas. Talvez ele nem saiba para qual diabo ele está vendendo a alma, ou simplesmente está se lixando para isso. Porém, o diabo cobra inevitavelmente a alma a quem lhe deve, mesmo que seja no fim do mundo ou no Rio de Janeiro. Tudo vai bem até surgir uma mulher no meio do caminho...sempre surge. A elegante direção de Joseph Mankiewicz salta aos olhos com cenas externas surpreendentes numa Istambul misteriosa. Imperdível. Aqui uma pequena amostra. 

A Casa da Rua 92 - Quase um peça publicitária sobre o FBI; portanto, um registro histórico dos mais fascinantes da II GM. Pouquinho antes da guerra estourar travaram-se batalhas nas sombras. Inimigos travestidos de homens comuns, trabalhadores insuspeitos, são, na verdade, apoiadores de um devastador regime genocida. Além de uma peça publicitária do esforço de guerra esse filme é um bom noir. Fique com uma amostra. 

Scorpio - Alain Delon é muito cool fala a verdade. No ambiente altamente predatório da espionagem todos vivem como presas - totalmente cientes de que podem cair no bote a qualquer segundo -, e predadores - com um toque de telefone seu melhor amigo pode virar um alvo mortal. Há sempre alguém no topo dessa cadeia alimentar. Pode-se enxergar metáforas freudianas do filho tendo de matar seu pai. Pode-se enxergar apenas belas cenas de perseguição e fuga em cenários europeus. Imperdível. Quer assistir esse filmão? Em alemão!?!?! Clica aqui...vale para ter uma ideia. 

Os Infiltrados - Um dos melhores filmes dos anos 70 feito no anos 2000: sujeira urbana envolvida por uma estória adulta de personagens falíveis, trágicos e desprezíveis, porém atraentes, que transam e matam, tudo isso escudados por uma baita trilha sonora.  Scorcese é um selo de qualidade tão forte que não surpreende nada sua reinterpretação do filme chinês ser tão superior. O muro separando e escondendo Billy de Colin só será derrubado com golpes resolutos que serão providos pela visceral saga desses espiões. Aqui a guerra fria é urbana e os lados se confundem constantemente pelos métodos empregados na luta. Não se sabe onde começa a polícia e começa a bandidagem. Billy é um suicida e um sobrevivente além de estar numa solidão absoluta e corrosiva, ele adentra cada vez mais o inferno. Sinceramente Jack Nicholson não me convence como gangster, diferentemente do trabalho impecável de Ray Winstone. Um dia falaremos mais sobre este filme. Fica com uma amostra, clica aqui. 


Tarantino está nos devendo um thriller de espionagem setentista...




Sinto que minha Vó sempre estará espiando quando eu estiver prestes a cometer algum pecado. 




25 de abril de 2012

CAT POWER - MOON PIX

Um dos mais celebrados trabalhos de nossa musa de cabelos ainda curtos nasceu de uma noite de pesadelos. Aqui realmente há um ponto de inflexão. Seu som ainda muito delicado começa a ganhar corpo e iria desembocar em álbuns quase heroicos. Sua poesia fica muito confessional, melancólica e invernal. Chan estava querendo ser a maior de todas.
As drogas, os medos e neuroses dominadoras estavam nascendo na vida da musa. Logo mais ela teria de vencê-las. Por agora, a música não a salva, só a aborrece. O cabelo começou a crescer e os timbres de suas cordas e de sua voz começaram a penetrar na pele dos ouvintes. Cat Power abandona o lo-fi e começa a galgar degraus mais altos. Um disco que irei ouvir para o resto da vida.
Gente! Que mulher bonita.  


Vamos começar com minha preferida Cross Bones Style, fácil de tirar no violão.


O peso da American Flag dói. 


Ah! a dor, a dor das lembranças! Colors and the kids