O som dessa banda é a trilha sonora para um sonho bom, para uma tarde perfeita, para um saudosismo que te faz sorrir, para um piquenique com as pessoas que você mais gosta no mundo. "Roqueiro" demais para um Cocteau Twins e etéreo demais para um The Smiths, o vocal celestial de Harriet Wheeler e a guitarra Marrziana de David Gavurin fazem aquilo que adormece dentro de nós acordar sorrindo. Os sons cheios de brilho do The Sundays irá refletir de The Cranberries até Pato Fú. Lindo, lindo, lindo!!!
Um dia vamos adentrar mais profundamente no Dream Pop ou no Ethereal Pop. Mas por enquanto vamos de The Sundays para polir a vida nesse fim de ano.
Se música é algo que lhe agrada, enquanto lês, dê uma escutada.
Sou suspeito, nasci lendo gibi. Tudo que envolve esse mundo interessa. Os produtores de cinema tem se aproveitado das facilidades desse meio (de roteiros a storyboards praticamente prontos). Mas muitos são sinceros e respeitosos na homenagem. Quase todos encaram os quadrinhos como diversão descompromissada, e são (e os filmes de HQs também), mas nem todos são frugais e escapistas. Alan Moore que o diga, e esse mestre já ensinou que a nona arte não pode e nunca será emulada a contento pela sétima. Só que vale a pena tentar, vai que sai uma obra-prima como Batman O Cavaleiro das Trevas (já a obra de Moore não obteve tanto êxito nas traduções de sua obra para o cinema).
A idéia aqui é mostrar adaptações out DC e Marvel Comics, pois já tiveram e terão muitas mais por ai. Vamos nos ater a adaptações esquecidas e pouco comentadas de quadrinhos no cinema. Uma pena que nosso Cinema não tenha tradição de boas adaptações de quadrinhos. Vamos torcer para que O Dobro do Cinco realmente aconteça, seria lindo. Então, vamos lá. Larga essa revistinha, escorrega o disco na bandeja e aperta o play.
Príncipe Valente - A luta final é de uma selvageria inacreditável para um filme produzido nessa década, nice!!! O ator principal é fraquinho e quando fecha a boca e brande a espada é um poeta (e o cabelinho Beiçola, há!). O trabalho de direção é bom, competente e preste atenção a batalha no Castelo Viking. Henry Hathaway não conseguiu traduzir a elegância do traço de Hal Foster, mas criou uma ótima matinê. Para ver num Sábado a tarde, novela de cavalaria, amor cortês, Vikings parecendo ala de Escola de Samba e um Tecnicolor lindo.
Tank Girl - Puxa, uma personagem tão simpática merecia um filme a altura. Tentaram, colocaram até Malcolm McDowell e a Naomi Watts novinha e bem graçinha. Gostei muito das intervenções dos quadrinhos originais e da estupenda trilha sonora. Só que chegou na hora do enredo aí, aí meu amigo, ficou feio. Poderia ser uma deliciosa sessão da tarde, é legalzinho e só. Nesse caso eu fico mesmo e muito com os quadrinhos de Jamie Hewlett e Alan Martin que foram publicados aqui na saudosa revista Animal. E viva Jamie Hewlett e seu traço genial e divertido.
O Corvo - Esse filme é muito querido para mim, remete minha pré-adolescência. Conheci o filme antes do quadrinho, virei fã absoluto da obra de James O'Barr. O filme emula um pouco o clima do Tim Burton e adiciona heroína, Joy Division, ruas sujas, melancolia e vingança VINGANÇA. Tem ainda toda a história do ocorrido com Brandon Lee que seria um grande astro de ação numa hora dessas. Para mim o único erro na adaptação foi a inclusão de um vilão Big Boss, enquanto que nos quadrinhos a força da estória reside no fato de o grande vilão ser sempre o acaso (personificado na violência urbana desenfreada) que alija a todos que toca. Um filme Grunge-gótico clássico. E leia os quadrinhos que são muito intensos e belos.
Estrada para Perdição - Que filme lindo. Uma das minha preferidas atuações de Tom Hanks e de Jude Law. Recriação de época muito cuidadosa. A estória é simples, direta e eficaz ( e tem sim inspiração nas páginas de Lobo Solitário). O Duelo final é eletrizante, fiquei preso a cadeira do cinema. Acho a adaptação muito respeitosa aos quadrinhos originais. Para ser sincero gosto mais da versão que ocorre na tela do que a que se desenrola nas páginas. Não perca.
Solomon Kane, O Caçador de Demônios - Como errar se tinha tudo para acertar em cheio. Mandaram muito bem nos figurinos, cenografia e efeitos especiais. E no roteiro colocaram todos os clichês mais manjados de todos. Mas o que não deu para aguentar foi o herói chato não se convencer nunca a vestir a capa. Não honrou a maravilhosa obra de Robert E. Howard e suas traduções para as páginas dos quadrinhos (vamos torcer para a nova versão de Conan honre). Vale como curiosidade de fã.
As Múmias do Faraó - Um filme delicioso (só a tradução do título que ficou despropositada). Humor bem cuidado (atente para as piadas ao final do filme). Adèle, nosso Tintin de saias caiu graciosa na atuação de Louise Bourgoin. Belle Époque + dinossauros + Paris + Philippe Nahon + direção sempre cool de Luc Besson + múmias do Louvre + Louise Bourgoin tomando banho = ótimo filme. Não conhecia o gibi (qua não saiu pelas bandas brasillis e parece que nem vai rolar), agora estou muito ansioso para lê-lo. E dá-lhe Amazon.
Seria genial se Tarantino realmente dirigisse a adaptação de O Sombra para o cinema...
-E ai Vó, vai rolar bacalhau nesse Natal mesmo ou não?
-Vai, claro que vai. Você gosta do bacalhau que eu faço?
Esse cara cobra o escanteio, corre para cabecear e vai comemorar. Um som sensacional que sabe fazer a alquimia exata entre um som raiz estadunidense e um som com um pé na caipirice brasileira. Esse cara é herói. E ainda faz dançar e balançar a cachola. Ótimo. Encarna a galinha que tem dentro de você e dá o play no som.
Primeiro o clip lindão de Chicken Flow
Agora para ver o cara em ação ao vivo com a galera participando Long Way From Home
Agora em portuga, para você abrir o sorrisão, Hey garota, vamos sair por ai!?
Se música é algo que te agrada, enquanto lês, dá uma escutada.
Toda arte tem seus baluartes. Gente que muda os rumos de seu fazer artístico ou simplesmente alia as técnicas já disseminada na arte e rearranjam de forma tão harmônica que acabam por criar clássicos. Alguns deles tem muito sucesso em vida, são reverenciados e expostos como sendo grande coisa, outros deles tem de passar pelo filtro da morte para se imortalizarem como artistas imprescindíveis. De qualquer maneira o caminho desses gigantes começa no primeiro passo. Nessa seleção de seis grandes diretores iremos analisar seus primeiros longa metragem e o que já se configurava como um possível estilo manifestado. E nada de ficar falando de biografias ou fofoquinhas, o que interessa aqui é a primeira ousadia. Os escolhidos são nessa ordem: Pedro Almodovar; Christopher Nolan; Darren Aronofsky; David Fincher; os Irmãos Coen e e e Quentin Tarantino...
Mais do que pensar nos altos e baixos da carreira o que nos interessa é tentar decodificar um DNA para suas obras (se é que isso exista) e assim ficar mais perto de suas preferências estéticas e metodos de trabalho. Os caras são bons, muito bem estabelecidos no mercado e na crítica e é bem possível que você já tenha visto algum filme deles. Vamos ver onde a história começou....
Pedro Almodovar, como começou?
Pepi, Luci e Bom e outras garotas de montão - Um coração amante de todos. Almodovar foi perdendo em transgressão e foi ganhando em classe e glamour com o passar de seus filmes. Aqui, na Madrid do começo dos 80, ele escancara, com muita farra e despudor todas as possibilidades de sexualidades de sua terra. Sempre colorido (aqui com uma cenografia mais pobre por motivos óbvios) e surtado os corações de suas mulheres seguem todos os caminhos que descortinam. Seu cinema é um barraco de casal no meio da rua, é baixo Augusta, é absurdamente engraçado, é um tapa na cara (no sentido novela da expressão), sangra como em letras do flamenco. Os jovens espanhóis tomaram as ruas com liberdade total depois de anos de chumbo.
No que deu: A Flor do meu Segredo - De Salto Alto - Tudo sobre minha Mãe - Fale com Ela.
Christopher Nolan, como começou?
Following - Estréia em p&b e já deixa os rastros temáticos de toda sua obra: o engenho e a obceção. Até Cobb e Batman estão nesse filme. Quase todos seus personagens tem planos que se elaboram sob ou sobre os planos de seus antagonistas. Sempre um personagem está um passo a frente de outro e de outro. Nessa estória nas entranhas da cidade um escritor entediado que segue a vida aleatoriamente vai aprender que estar preparado é tudo no mundo de Nolan. A admiração que esse diretor tem por Stanley Kubrick se demonstra em sua estréia homenageando os filmes menores e de estréia de Kubrick.
No que deu: Amnésia - Grande Truque - Batman, o Cavaleiro das Trevas - A Origem.
Darren Aronofsky, como começou?
PI - Uma estréia com muita pretensão. A espiral da loucura filmada em p&b bem granulado. A Cabala, a matemática explicando todos os padrões da vida, máfia judaica ortodoxa e o sentido do π. A influência que Kafka exerce sobre esse conto novaiorquino é óbvia. Já aqui Aronofsky expõe a característica da descida profunda em espiral (ou em elevação como no caso de A Fonte da Vida) que submete todos seus personagens. Sua câmera parece querer sempre entrar pelas narinas até chegar ao fundo dos pensamentos de quem estampa a tela. Pitágoras, músicas eletrônica, o mercado de ações, Lexotan, epilepsia e um matemático ranzinza. Pena, o ator principal não segura a peteca e da suas vaciladas. A influência de Taxi Driver é latente.
No que deu: Réquiem para um sonho - A Fonte da Vida - O Lutador - Cisne Negro.
David Fincher, como começou?
Alien 3 - Falou-se muito mal, mas o filme merece uma segunda visão. A sensacional franquia Alien (que nos dois primeiros capítulos estiveram sobre a batuta de dois diretores monstruosos: Ridley Scott e James Cameron) tem uma identidade visual muito marcada totalmente industrial e sem qualquer elemento de natureza. David Fincher respeita essas características e aplica um apuro cenográfico sem igual e já explicita sua direção clássica de horizontalidade bem aberta, closes fechando em momentos necessários (a cena do alien quase beijando a Ripley é a mais lembrada por todos mundo quando falamos de Alien), e a apurada utilização de computação gráfica. O final é extremamente climático e teria sido um final glorioso para tenente Ripley...não fosse o Alien 4.
No que deu: Seven, os sete pecados capitais - Clube da Luta - Zodíaco - A Rede Social
Os Irmãos Coen, como começaram?
Sede de Sangue - Em sua primeira incursão em longa metragem os Irmãos Coen não usaram de suas melhores características: a ironia, o humor negro e involuntário; e resolveram ser mais sérios. Nesse Noir intenso e cheio de palavras não ditas eles usam de outra de suas características: os planos que pareciam muito bons e que se quebram em vários pedaços até acabar da pior maneira. Aqui também não abrem mão de personagens desprovidos de beleza e tipicamente interioranos e da violência seca sem retoques. Os Irmãos Coen, mesmo tendo sempre carinho por seus personagens, orientam seus roteiros sob o signo do caos. O que nos aproxima de seu universo afinal, vivemos todos sob o signo do caos.
No que deu: todos todos os que eles fizeram são essenciais (tirando Arizona Nunca Mais).
Quentin Tarantino, como começou?
Cães de Aluguel - A grand premiere de nosso patrono. A saturação sensorial subindo no pódio como grande arte. Tarantino fragmentou diversos aspectos da cultura pop e os recombinou para o mais cool exercício de diversão e do estilo. Sua pós-modernidade bombada deixando pelo chão convicções ideológicas nos faz apelar ao instinto e não ao raciocínio por mais fragmentados e que sejam seus roteiros. Nesse filme de "gênero" "roubo" iremos nos deparar com uma estória cada vez mais claustrofóbica; com a Madonna e suas preferências sexuais; com bandidões sagazes e azarados de L.A.; com Michael Madsen psico total; uma trilha sonora brilhante e a certeza de que foi um filme fudido (ops...).
No que deu: Pulp Fiction - Kill Bill vol. 1 e 2 - A Prova de Morte - Bastardos Inglórios.
Quentin Tarantino se orgulha muito de tudo o que fez...
-Preciso por minhas pernas pra cima. Tá tuda inchada...
Esses caras são heróis. Uma das minhas bandas brazucas preferidas, músicos talentosos e um show classudo e vibrante. O Rockabilly que esses caras produzem não deve em nada para qualquer banda gringa. Ter e insistir em ter um projeto musical incrível desses no Brasil é um ato de valentia. Portanto, nada resta senão sacudir essas cadeiras... Rockabilly rules!!!
Primeirinha do sacode é Damn Killer Car
Agora vamos na homenagem a Ed Wood e a participação do emblemático Kid Vinil com Green Man From Mars
Nem só de Crocodilo Dundee e Mad Max vive o cinema australiano. Na terra das pessoas loiras rosadas e do coala faz-se um cinema de muita qualidade, nervoso, calorento e orgástico. Mais que estilo visual (este sempre mediado pelas cores quentes do deserto) salta na tela a força de enredos nervosos que extrapolam a ferocidade da natureza demonstrando que há pouca coisa mais destruidora que as ações desmedidas dos seres humanos. A filmografia que nos chega desse país não deixa de refletir a estranheza sentida pelos seus antigos colonizadores que, diferentemente dos colonizadores do continente americano, não optaram pela miscigenação e integração mais orgânica com o território e se encastelaram em suas fortalezas de Sydney, Melbourne e Adelaide.
Houve um boom de produção cinematográfica nos anos 70 e 80 que resultou em filmes absolutamente incríveis e muitas pornochanchadas (que também são incríveis). Foi um período de experimentações amalucadas e de produções de orçamentos modestos e de pretensões gigantescas, abrindo assim as cortinas do cinema australiano para o resto do mundo. Vamos lá, uma seleção de fitas de um país com belas garotas e belos filmes. Deu vontade de correr para o Outback...
Ghosts...of the Civil Dead – Sabe o lugar nos fundos da terra que Dante e Virgílio resolvem conhecer? Então, nessa película iremos conhecer um lugar pior. Com certeza os criadores de OZ assistiram até dizer chega esse filme, até o design dos pátios internos das detenções se parecem. Nick Cave está incrivelmente assustador, um psicopata infernal. Esse filme faz Carandiru parecer um filmete da Xuxa, no máximo. Uma reflexão incrível sobre o encarceramento da fúria e podridão de nossa sociedade. E pensar que a Austrália nasceu como colônia penal.
Reino Animal – Uma matilha de predadores acuados. Um leão ferido na savana percebe os abutres se aproximando em espiral. Não sou dado a palavrões, mas este é um puta filme. Imperdível. Tadinhos, eles tem família, se amam, mas é a selva amigo, eles te matariam na primeira oportunidade, é a lei, a falta dela. A família dos Metralhas do mal, que sorriso apavorante da matriarca. Todo primeiro mundismo tem seus enjeitados armados e furiosos nos subúrbios prontos a disparar. Um dos grandes filmes do ano.
Candy – James Dean foi lenda desde sempre. Eu era criança para entender o caso River Phoenix. Já o Heath Ledger me pegou em cheio. Para mim o melhor ator gringo da primeira década de 2000. E antes de anarquizar Gotham City ele esteve nesse tocante e desesperador conto sobre um amor desfacelando. Junto à lindíssima Abbie Cornish entramos nesse furacão poético cheio de amor, angústia e autodestruição. Tocante e imperdível pela presença sempre imortal desse ator.
Skinheads, a força branca – Não é dos grandes filmes de neonazistas, mas é interessante. Russel Crowe começando na carreira representa bem toda a carga de ódio a tudo e todos perpetrada ao público por esse “movimento”. Um filme sobre a ruína dos estilhaçados, e tem mulher no meio, sempre tem. Não dá para odiar sem parar, os carecas também sofrem de amor. Um grupo de intolerância em países formados por imigrantes tende a extinção nos confrontos diretos. A suástica é admirada por muito poucos, e guerra é numero.
Além de Hollywood – Um ótimo e surtado documentário sobre a época mais prolífica do cinema australiano: de pornochancahdas a cruéis filmes de monstros. Um período de liberdade total de idéias, mas nem tanta liberdade na execução e exibição, que viriam a influenciar realizadores em todo o mundo. Vale muito assistir esse documento sobre uma produção artística praticamente ignorada.
Walkabout, a Longa Jornada – Quer assistir um filme para mudar sua vida? É esse. Brutalmente inteligente pelos detalhes deixados na tela mesmo com um enredo aparentemente simples. Não adianta, a presença do ser humano modifica tudo e todos a sua volta, e a recíproca é verdadeira. E se se parar para pensar os vales que separam as tribos nem são tão grandes assim. Lévi Strauss já havia pensado nisso. Não, para algumas pessoas é um vale intransponível. Mas o contato molda que o diga o rapaz aborígene cheio de testosterona e a garota da cidade cheia de não me toques. Ambos são corajosos. E no futuro ambos saberão que a distância que os separaram não é natural. Mas é o que se tem para hoje.
Wolf Creek, Viagem ao Inferno – Talvez, depois de ver esse filme, você perca a vontade de visitar a Austrália. Bobagem, todo país que se preze tem seus psicopatas. Um terror com estilo visual acentuado, nem chocante e nem inerte. Mas eu continuo odiando esses personagens desprovidos de inteligência que abundam fitas do gênero e são tão facilmente exterminados. Vamos dizer que seja a versão evil de Crocodilo Dundee.
Tarantino é fã declarado do cinema australiano. No A Prova de Morte rola até uma homenagem ao Wolf Creek...
-Olha que bonito o Canguru pondo o filhotinho na sacola. Deus faz tudo perfeito mesmo, o homem que estraga.
E ai, já ouviu Holger hoje? Holger é, como diria, para animar a festa, salve simpatia...Não à toa fizeram, ao lado do Mika, o show mais legal no Festival Planeta Terra desse ano. Dá uma conferida. Never stop the music...
Primeiro o clip lindão de Let'em Shine Below
Depois vem outro clip espertíssimo The Auction.
E para sentir a animação vai uma apresentação ao vivo de Caribean Nigths.